A trajetória da Educação no Bairro Gigante

A trajetória da Educação no Bairro Gigante

Quando a região, nas últimas décadas do século 19, já dava sinais de positivo progresso, o governo estadual resolveu instalar uma primeira escola para formação primária: a Cadeira de Instrução Pública, isso no ano de 1876. Alguns anos depois, em 1901, surgia, na Estrada da Penha, esquina com a atual Rua Maria Eugênia, a Escola Mista de Monte Belo. Era composta de uma só classe, tendo a frente uma única professora, dona Ondina. A escola era freqüentada principalmente por famílias que residiam na parte baixa do bairro: filhos de oleiros, de donos de portos de areia e de chácaras e comerciantes locais. Dona Maria Thereza Cortez, filha de um imigrante espanhol, dono de ampla área de terras da região, foi uma das alunas dessa escola.

Outra casa de ensino que iniciou cedo suas atividades no bairro foi o Erasmo Braga. Em princípio, foi instalado em uma velha casa térrea da parte baixa da Rua Tuiuti. Permaneceu muitos anos nesse domicílio, formando enorme contingente de alunos. Difícil encontrar alguém criado naquelas vizinhanças, que não tenha passado pelas suas classes. Finalmente na década de 50, transferiu-se para novas e modernas instalações, desta vez na Rua Maria Eugênia. O prédio amplo e arejado permitia a continuidade de um extraordinário trabalho em prol da educação dos moradores do Tatuapé.

Já na parte alta, no longínquo ano de 1922, uma outra escola começava sua trajetória: o Visconde de Congonhas do Campo. Suas atividades se iniciaram em modesta casa térrea do lado direito da Rua Tuiuti, com a denominação de Escola Mista de Vila Gomes Cardim. Dona Amélia Augusta Turelline foi sua primeira professora. Ficou nesse local apenas alguns meses. Passou depois para o lado oposto, ocupando o casarão que fora sede das terras do coronel Luiz Americano. A propriedade de Luis Americano abrangia ampla área, entre a Rua do Ouro (atual Rua Estevão Pernet) e a Estrada de Ferro Central do Brasil. O professor Affonso Lócio Seilbiz era seu diretor, por coincidência o marido de dona Ondina, professora da Escola Mista de Monte Belo. Nesse local novamente foi alterado o nome da casa, passou a chamar-se Escolas Reunidas de Vila Gomes Cardim. Permaneceu uns poucos anos nessa antiga casa, sendo a seguir trasladada para uma das propriedades de Antonio Camardo, à Rua Coelho Lisboa. Novo endereço, nova denominação: Grupo Escolar de Vila Gomes Cardim. No início da década de 30, nova e última mudança, desta vez para a esquina da Rua do Ouro com a Rua Tuiuti, em prédio pertencente ao Estado. Agora adquiria sua definitiva denominação: Grupo Escolar Visconde de Congonhas do Campo. Dona Maria Cristina Ziccardi, filha do emérito tatuapeense Francisco Ziccardi, diplomou-se em 1927, época em que a escola chamava-se Grupo Escolar da Vila Gomes Cardim.

Ainda no ano de 1940, a professora Maria Eugênia Vidal Ortiz, extraordinária educadora do bairro, continuava seu sacerdócio em prol da cultura da nossa gente. Centenas de alunos passavam pelas carteiras da sua humilde escola: Externato São Paulo – Brasil, no 2º andar de um prédio da Avenida Celso Garcia, defronte e do lado oposto da Rua Vilela. Merecidamente seus conterrâneos deram seu nome a uma rua do bairro. Aliás, o mínimo que poderia ser feito em memória dessa incansável trabalhadora da educação.

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