Custou, mas chegou a vez do Cunha

Como formiguinha trabalhando para fazer sua casa e alimentar seus filhos, age o juiz Sérgio Moro.

Tijolinho por tijolinho, ele vai construindo o castelo, ou enchendo a cadeia, como preferirem os senhores. Que trabalho admirável, que competência, que eficiência, é um orgulho para os brasileiros ter um juiz como Sérgio Moro.

Suas sentenças são de tal forma preciosas que o STF não as reforma, são irreparáveis. Aí cresce o temor: cair nas garras do Moro é prisão na certa, ele não dá golpe errado.

Na medida em que avança, ele leva consigo a certeza de que está agindo certo, suportado por provas robustas e que sua atitude não ferirá a lei e não será objeto de contestação. Essa é a razão maior do medo de todos os políticos. Agora foi para o famoso “xilindró” o Cunha. Ele é um verdadeiro guardião das grandes informações, na Câmara, no Senado e no Executivo, pois tudo passou pelo seu crivo, ele sabe tudo, nada lhe escapou e, ao abrir a boca, as ratazanas que compõem esses poderes, até o Temer, sem dúvida vão tremer e ninguém escapará. Prova maior de que ele vai falar é que já se acautelou, acaba de contratar um escritório de advocacia especializado em delação premiada.

Essa matéria acabou sendo a mais nova especialidade do direito, matéria nova e que está enriquecendo mais do que nunca os advogados. O principal advogado do escritório é o dr. Marlus, que atuou na defesa técnica de outros “medalhões” envolvidos na Lava Jato e na delação premiada dos executivos da Odebrecht. No momento ele disse que não tratou de delação premiada e que vai ingressar com o “habeas corpus”, sem dúvida recurso fadado ao mais redundante fracasso.

Em favor de Cunha nada surtirá efeito. Se fosse no plano político, antes de sua cassação, ainda seria possível, mas depois da falta de apoio de seus colegas, não será a Justiça que o socorrerá. Como ele tem absoluta certeza disso, não lhe resta outra saída que não seja a delação para obter uma pena menor.

Todavia, corre o risco de já ter sido esgotado tudo o que deveria ser delatado e seu depoimento não sirva mais. Mesmo assim, duvidamos, porque ele deve ter um arsenal para implodir o Congresso e, quem sabe, o Planalto. A verdade é que os políticos revelaram muito medo e sabem bem que agora chegou mesmo o fundo do poço.

Muitos perguntarão, porque razão o Lula não foi na frente do Cunha? Afinal, ele já é réu em três processos e o Cunha ainda não era. É como dissemos, tudo está sendo preparado para o “Gran Finale”, ou seja, com o desfecho de ouro, a prisão do “Poderoso Chefão”. O “Grande Chefe” está sendo resguardado. É possível que primeiro vá sua família, esposa e filhos e depois irá ele, e essa prisão deverá ser muito bem fundamentada.

Para isso, acreditamos que o depoimento do Cunha será o fecho. Depois dele nada mais interessará, porque se ampliarão de tal forma as investigações, de tal forma repetidas, que já não se importarão mais. O que se queria já se terá conseguido.

Para isso, é muito importante não permitir que o Renan coloque em votação a famosa lei da “mordaça” da Justiça, o verdadeiro atentado à Justiça, segundo Moro, que defende as prisões e a independência dos juízes. A aprovação dessa lei é tudo o que o Renan e toda canalhada deseja.

Todos já se veem irremediavelmente perdidos. No campo do Direito já não há mais alternativa para lhes dar guarida e cobertura, pois fizeram tudo o que sabemos e agora temem pelo pior para eles e o melhor para nós. Ou seja, têm que prestar contas e pagar no judiciário o mal que fizeram.

Mas ainda falta um detalhe: onde está o dinheiro desviado? Não voltou, será que voltará? Tudo se completará o dia que essa dinheirama voltar para o país, senão de nada valeu toda essa movimentação que vem assombrando os nossos políticos

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