Distúrbio Específico de Linguagem – Diagnóstico precoce é essencial

Distúrbio Específico de Linguagem – Diagnóstico precoce é essencial

O Distúrbio Específico de Linguagem (DEL) se caracteriza pela dificuldade em adquirir e desenvolver habilidades de linguagem, sendo mais frequente em crianças, e comumente relacionado, de forma indevida, à perda auditiva, deficiência mental ou distúrbio do desenvolvimento, síndrome ou alteração sensorial, déficit físico, distúrbio emocional severo, fatores ambientais prejudiciais ou ainda lesão cerebral.

Entre 5% e 7% da população infantil, a cada 1000 nascidos, tem o diagnóstico do DEL. É possível diagnosticar, com mais precisão, em crianças entre 5 e 6 anos de idade, embora isso não ocorra de forma tão regular, o que compromete o desenvolvimento de crianças em larga escala. Mais que um mero número estatístico, o DEL tem reflexos imediatos no aprendizado, desde o período inicial da educação formal, se estendendo até a fase adulta, nas atividades de comunicação oral e /ou escrita.

DISLEXIA
Segundo a fonoaudióloga Debora M. Befi-Lopes, dentre os distúrbios de comunicação, um dos mais comumente divulgados é a dislexia, que representa índice de 2 a 3% na estatística dos distúrbios da comunicação na infância. Por se manifestar na idade escolar, gera o reconhecimento da dificuldade acadêmica.

Crianças com DEL, quando não diagnosticadas e tratadas precocemente, têm dificuldades com a aquisição da escrita, e podem ser facilmente confundidas com crianças disléxicas, em virtude de um diagnóstico incorreto, o que pode resultar no fracasso da reabilitação. A fonoaudióloga lembra que o enfoque do processo terapêutico nas diferentes patologias é diferente. “De toda forma, o importante é salientar que, para crianças com DEL, as atividades que derivam de conhecimento linguístico se tornam difíceis ao longo de toda a sua vida pessoal e profissional”, destaca a profissional.

Embora estudado e identificável, não existe ainda um comprovação científica estabelecida para o DEL, justamente pela inexistência de marcas biológicas que justifiquem o comprometimento de linguagem. Por outro lado, há evidências da presença de um componente genético determinante nesta patologia, ainda que de origem e localização incertas.

RESOLUÇÃO DE CONFLITOS
Não é raro que crianças com Distúrbio Específico de Linguagem sejam observadas como impopulares, por não interagirem e conversarem como as outras, chegando mesmo a se isolarem. Às vezes taxadas como “burras”, são crianças inteligentes no que tange ao conhecimento, porém, com dificuldade para reter ou expressar o aprendizado. Inicialmente, estas crianças são rejeitas na escola e, consequentemente, se tornam acuadas e com baixa autoestima.

Nesse contexto, ocorrem também as dificuldades na resolução de conflitos, quando a criança não consegue dar respostas não unilaterais, em que demonstre cooperação e interaja na busca de uma solução comum para o problema. “Geralmente, se utilizam de técnicas como o suborno ou a chantagem. Não há habilidade para o diálogo e a interação para resolver questões simples e cotidianas”, explica Débora Befi.

DIAGNÓSTICO
O diagnóstico do Distúrbio Específico de Linguagem é multidisciplinar e deve ser feito por exclusão, ou seja, descartando-se a possibilidade de qualquer outra patologia. Na avaliação de linguagem, examina-se a expressão e recepção de diferentes aspectos, como fonológico, lexical, morfossintático, semântico e pragmático.

CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DO DEL
– Dificuldade de linguagem expressiva e/ou receptiva, sendo a compreensão normalmente melhor do que a expressão;
– Atraso na aquisição das primeiras palavras;
– Falha na discriminação dos fonemas;
– Frases mal elaboradas (algumas vezes sem artigos, preposições ou concordância verbal);
– Fonologia, semântica, sintaxe e pragmática são atingidas em graus diferentes.

Uma mesma criança pode apresentar maiores problemas em relação à fonologia num momento e em relação à semântica, num outro. Ou seja, o quadro nem sempre é estável.

Debora Befi tranquiliza, observando que, independente do nível do distúrbio, se diagnosticado e tratado precocemente, por profissionais especializados, as consequências podem ser atenuadas.

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