Doenças alérgicas atingem 30% da população brasileira

Doenças alérgicas atingem 30% da população brasileira

Entre os dias 8 e 14 de abril, aconteceu a Semana Mundial da Alergia, que trouxe como tema principal este ano a “Alergia alimentar – um problema de saúde global crescente”. Segundo dados da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (ASBAI), cerca de 30% da população sofre de alergia, sendo 20% crianças e 5% casos alimentares.

De acordo com a alergologista Loraine Landgraf, é necessário destacar, dentre todas alergias, a alimentar, já que os pacientes com patologias alérgicas apresentam uma maior incidência em 38% dos casos. Para ela, antes de tudo, é necessário entender o que é a doença.

“Alergia é uma reação adversa a determinado alimento. Envolve um mecanismo imunológico e tem apresentação clínica muito variável, com sintomas que podem surgir na pele, no sistema gastrintestinal e respiratório. Podem ser leves, como simples coceira nos lábios, até reações graves, podendo comprometer vários órgãos”, explica.

ALIMENTOS
Qualquer alimento pode desencadear reação alérgica. No entanto, a especialista afirma que leite de vaca, ovo, soja, trigo, peixe e crustáceos são os mais envolvidos com a doença. “A sensibilização a estes alimentos depende dos hábitos alimentares da população. O amendoim, os crustáceos, o leite de vaca e as nozes são os alimentos que provocam reações graves (anafiláticas) com mais frequência”, destaca.

A médica também lembra que a predisposição genética pode ter importante papel para o aparecimento da patologia. “Estudos indicam que de 50 a 70% dos pacientes com alergia alimentar possuem história familiar da doença. Se o pai e a mãe apresentam alergia, a probabilidade de terem filhos alérgicos é de 75%”, ressalta.

TRATAMENTO
Com relação ao tratamento, não há um medicamento específico que previna a alergia, mas, uma vez diagnosticada, devem ser utilizados remédios específicos para o tratamento dos sintomas. Além disso, parar a ingestão do alimento suspeito é essencial.

Para a especialista, também é necessário que o médico oriente sobre a importância da leitura de rótulos. “É primordial a identificação de nomes que possam corresponder ao alimento desencadeante das manifestações clínicas. Existem pacientes que podem sofrer reações graves porque determinado produto industrializado mudou a formulação, incluindo ingrediente ao qual a pessoa é alérgica”, alerta.

DIFERENÇAS
É importante que as pessoas saibam distinguir uma alergia alimentar de outras reações a alimentos e, principalmente, da intolerância alimentar. “É preciso entender que quando se fala em alergia estamos nos referindo às proteínas do alimento e que, quando falamos de intolerância, estamos nos referindo aos açúcares. No caso do leite de vaca, o açúcar importante é a lactose e, portanto, chamamos de intolerância à lactose e não, alergia à lactose”, explica Loraine.

Sintomas como urticária, inchaço de lábios, pálpebras e outras partes do corpo, chiado no peito e até mesmo reações mais graves e generalizadas, como a anafilática, são características da alergia, não sendo encontradas nos casos de intolerância alimentar.

“Por meio do exame o paciente esclarece as dúvidas, estabelece o diagnóstico e encontra a melhor conduta para a situação. Esta orientação é fundamental, não somente nos casos de choque anafilático, onde o paciente pode correr risco de morte, mas também nos casos de intolerância alimentar para efetuar o diagnóstico correto e garantir a alimentação adequada”, conclui a especialista.

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