Drogas: como enfrentar?

Sr. redator:
“Como docente e pesquisadora de pós-graduação em Saúde Mental, no módulo ‘Uso e Abuso de Drogas’, pretendo contribuir com a discussão sobre as práticas em saúde mental, no que diz respeito à atenção ao usuário dependente de drogas.
Atualmente, observamos muita preocupação das autoridades e da população em relação aos dependentes de crack. No entanto, em um momento de grande preocupação, algumas medidas são tomadas de forma inadequada, levando a tratar o problema de uma forma superficial e reducionista. Estou me referindo ao incentivo e divulgação da internação (e em alguns casos, a internação compulsória) como única possibilidade de intervenção para os dependentes desta substância.

Ao tratar o problema como caso de polícia (exemplo da intervenção militar na “Cracolândia” em São Paulo) ou um problema para as clínicas de recuperação, que afastam a pessoa de seu convívio familiar e comunitário, estamos centralizando a questão apenas na droga – a ‘grande vilã ou lobo mau’, desconsiderando a complexidade do fenômeno. Nesta lógica, o usuário deve ser afastado de um ambiente ‘periculoso’.

Mas, devemos considerar a questão de outra forma, a dependência às drogas (crack, álcool, cocaína, tabaco etc.) é um sintoma, como a ponta de um iceberg, revelando outros problemas na vida de uma pessoa – dificuldades familiares, dificuldades/ausência de vínculos sociais, falta de projetos/perspectiva de vida etc. A impossibilidade em transformar essas situações poderão resultar no abuso/dependência de drogas, como forma de afastamento de uma realidade objetiva ou subjetiva insuportável.

Portanto, não basta afastar a pessoa de um ambiente considerado nocivo, pois é este ambiente que deverá ser transformado e enfrentado pelo sujeito. Essa é uma possibilidade de tratamento pela transformação do contexto e não afastamento de sua realidade. Para garantir essa condição, o Programa Nacional de Atenção Comunitária Integrada a usuários de álcool e outras drogas, do Ministério da Saúde, oferece serviços como CAPS AD, Unidades Básicas de Saúde, Consultórios de rua, Casas de Acolhimento que auxiliam na construção de uma rede de apoio e assistência ao usuário dependente de drogas.

Os Centros de Atenção Psicossocial Álcool e outras drogas (CAPS AD) são centros de atendimento gratuitos à população que oferecem tratamento aos usuários abusivos e dependentes de álcool e outras drogas e aos seus familiares. O tratamento envolve: atendimento individual, atendimento em grupo, oficinas terapêuticas, visitas e atendimentos domiciliares, atendimento à família, atividades comunitárias. Para os casos de maior gravidade poderão ser oferecidos atendimento para desintoxicação.

Ressaltamos que a principal função de um profissional da área da saúde mental é garantir a atenção digna e humana aos usuários de um serviço de saúde pública, garantindo seus direitos e possibilidades de escolha em sua vida.

Para obter mais informações sobre os CAPS AD próximo à sua residência, poderão consultar a Unidade Básica de Saúde próximo à sua residência ou entrar em contato com o CRATOD – Centro de Referência Álcool, Tabaco e outras drogas: http://www.saude.sp.gov.br/cratod-centro-de-referencia-de-alcool-tabaco-e-outras-drogas/.”

Katia Varela Gomes

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