Estado vive a pior seca  dos últimos cem anos

Estado vive a pior seca dos últimos cem anos

Nem é preciso falar que os dois reservatórios que abastecem grande parte dos bairros da Zona Leste estão muito aquém de suas capacidades. Na quinta-feira, dia 16, o Sistema Cantareira pontuou 4,1% e o Alto Tietê 9,7%. Na sexta-feira, não havia registro de armazenamento no Cantareira e no Alto Tietê a reserva baixou mais 3%.

De acordo com os especialistas, as regiões centro-oeste e sudeste vivem a seca mais intensa dos últimos cem anos. Muitos meteorologistas associam o desmatamento na Amazônia às mudanças climáticas e, consequentemente, ao período em que estamos vivendo.

Para ajudar a aumentar o calor tem ainda a questão da alta pressão atmosférica, que impede a entrada de umidade da Amazônia e a chegada de frentes frias em várias regiões do País.

Em meio a tudo isso, as mudanças climáticas estão tão repentinas que nem sempre as previsões se confirmam.

Como aconteceu na semana passada. A chuva não veio e o clima seco, com ar desértico, ficou ainda mais acentuado. Resultado: mais calor, menos umidade, mais evaporação da pouca água que resta e menos formação de nuvens.

Aí entrou em cena outra discussão: a da autorização, pela Agência Nacional de Águas (ANA), de retirada da segunda reserva de água para reabastecer,  emergencialmente, o Sistema Cantareira. Na quinta-feira, 16, o governo do Estado derrubou a liminar que impedia a sua retirada. E devem entrar em circulação 106 bilhões de metros cúbicos de água.

Segundo o presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), desembargador federal Fábio Prieto, a decisão foi tomada para “evitar grave lesão à ordem e ao interesse público”. Em nota o desembargador afirmou que a intervenção da presidência dos tribunais, por meio da suspensão de liminares, é uma “medida excepcional”.

META É POUPAR ÁGUA
Enquanto isso, os relatos de falta de água ecoam pela cidade. No Tatuapé não é diferente. Em novo contato com a Sabesp, a reportagem voltou a questionar se há racionamento ou algum tipo de rodízio no abastecimento. E, assim como das outras vezes, a concessionária disse que não.

Confira a seguir e na íntegra a nota encaminhada a este semanário.

“A Sabesp informa que o abastecimento de água da Grande São Paulo já está em processo de normalização. As altas temperaturas, que chegaram a 36ºC na segunda-feira, a baixa umidade do ar (14%) e o nível desértico, aliados à redução na disponibilidade de água, provocaram uma série de problemas de abastecimento. A seca histórica, com temperaturas recordes, levou à redução dos níveis dos principais reservatórios da região e à consequente limitação de retirada da água imposta pela ANA – Agência Nacional de Águas, órgão regulador do setor. Com isso, a Sabesp fica com possibilidades limitadas de operação, o que fica mais patente em horários de pico, dias muito quentes e quando há problemas técnicos no sistema, como o que ocorreu no Reservatório Campo Belo, que afetou boa parte da região sul no início da semana.

Segundo o superintendente de produção de água da Região Metropolitana de São Paulo, Marco Antônio Lopez Barros, essa situação do Campo Belo e também o rompimento de uma tubulação na região da Avenida Paulista, foram resolvidos rapidamente, mas o alto consumo e a limitação de retirada de água tornam bem mais lenta a normalização dos sistemas. ‘Mas essa normalização já está ocorrendo e os moradores que tiveram problemas nos últimos dias em breve estarão com o abastecimento regularizado’, explica Lopez Barros.”

Com relação às ruas indicadas por leitores com problemas no abastecimento no Tatuapé, a Sabesp informou que irá checar o que está acontecendo.

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