Falta consciência coletiva

Sr. redator:
“Diariamente, somos bombardeados por informações acerca do nível dos reservatórios que nos abastecem de água, nosso recurso mineral mais precioso. No primeiro semestre de 2014, o Sistema Cantareira, responsável por metade do abastecimento da Região Metropolitana, bateu recordes negativos dia após dia. Até o volume morto (ou reserva técnica) foi utilizado pela primeira vez na história.

Trata-se de um reservatório de 400 milhões de metros cúbicos de água, situado abaixo das comportas das represas que abrangem o Sistema Cantareira. Tal medida se fez necessária, mas ainda assim, a solução paliativa aumentou o nível do mesmo a apenas 18%, o que seria suficiente apenas até novembro, de acordo com a Agência Nacional de Águas.

O cenário descrito se dá, acima de tudo, pela falta de chuva. Pode-se discutir a ausência de planos preventivos e emergenciais por conta do poder executivo, mas o que não se discute é que estamos vivendo um terrível período de seca. O mês de janeiro teve a pior média de chuva em 84 anos: apenas 87,8 milímetros, sendo que a média histórica do período é de 260 milímetros.

Isso significa que, de uma vez por todas, precisamos adquirir consciência coletiva. Chega de pensar apenas no momento. É necessário visualizar o futuro. Como será o planeta que deixaremos para nossos filhos e netos? A sociedade brasileira precisa se adaptar. Na Califórnia, os habitantes se orgulham de andar de carro sujo. Enquanto isso, os brasileiros gastam litros de água semanalmente para deixar seus veículos brilhando, quando poderiam utilizar um simples aspirador de pó no interior dos mesmos.

Para tentar educar a população, o governo determinou que, a partir do mês de maio, os consumidores que ultrapassarem a média do consumo apurado nos últimos meses deverão pagar uma multa equivalente a 30%. Entretanto, a medida não é eficaz em todos os casos. Alguns condomínios, principalmente os antigos, têm conta de água compartilhada. Ou seja, os moradores recebem uma fatura que engloba todos os apartamentos, assim como as áreas comuns.

Isso faz com que algumas pessoas não se esforcem pela economia, já que acabará pagando a mesma conta que o vizinho que gasta de maneira abundante. É como o sujeito que vai a uma confraternização com os colegas de trabalho e pede prato e bebida mais caros, sabendo que a conta será dividida com todos da mesa. No caso dos novos empreendimentos, as construtoras já são obrigadas a entregá-los com individualização de hidrômetros, o que deixa cada um responsável por seus gastos.

Podemos tomar uma série de providências em nossas casas, que contribuem com a coletividade. Uma delas é uma grande campanha de conscientização. Pequenas atitudes podem ser cruciais.

Manter a torneira fechada enquanto se escova os dentes gera economia de até 11,5 litros de água. O mesmo procedimento ao fazer a barba, pode poupar até 9 litros. Não utilizar o vaso sanitário como lixeira. Tomar banhos mais curtos, mantendo o registro desligado para ensaboar-se. A economia varia de 90 a 162 litros.

Manter o registro fechado ao ensaboar e esfregar as roupas. A cada 15 minutos de água aberta, 270 litros de água são liberados (o dobro de um ciclo completo de lavagem em uma máquina de 5 kg). Acumular roupas e lavá-las de uma vez quando utilizar a máquina. Lavar o carro com balde, ao invés de mangueira, gera economia de até 176 litros. Regar plantas com regador ou mangueiras com ‘esguicho revólver’ pela manhã ou pela noite (para evitar evaporação), gera economia de até 96 litros. Substituir a mangueira pela vassoura na hora de limpar a calçada evita desperdício de 279 litros a cada 15 minutos.”

Fernando Fornícola

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