Fases socioeconômicas do Tatuapé

Fases socioeconômicas do Tatuapé

Agrosso modo e para melhor compreensão do texto que segue, optamos por dividir as várias fases do desenvolvimento socioeconômico do Tatuapé e região em cinco períodos distintos.

1º período (1560 a 1655) – A região se divide em duas grandes glebas: a de baixo, próxima das margens do Rio Tietê, pertencente primeiro a Brás Cubas e em seguida a Rodrigo Álvares; e a de cima, a região conhecida por Capão Grande, pertencente primeiro a Francisco Velho e após, por herança, a Francisco Velho de Moraes, seu filho.

2º período (1655 a 1870) – A região de baixo mantém-se unificada, mas passa por diversas mãos: Francisco Jorge, Padre Mateus Nunes de Siqueira, Baronesa Silva Gameiro e Elias Quartim de Albuquerque. A de cima, pelo contrário, fraciona-se em fazendas cujos principais proprietários foram: Diogo Antonio Feijó, João da Silva Carrão e Joaquim Marcelino da Silva – o Califórnia.

3º período (1870 a 1940) – Nas primeiras décadas desse período ocorrem fatos que influenciarão o desenvol­vimento futuro de São Paulo e, ao mesmo tempo, da Região Leste: o fim da escra­vidão, a chegada das primeiras levas de imigrantes, a implantação do regime republicano e a construção das várias ferrovias. Destas daremos especial destaque à Estrada de Ferro Central do Brasil e às suas várias estações entre o Brás e a Penha, popu­larmente chamadas de “paradas”. É ainda no início desse período que se insere a instalação das linhas de bondes elétricos por toda São Paulo, impor­tando-nos, sobre­tudo,  a linha do centro à Penha, que serviu o Tatuapé e toda a vasta região adjacente.

Algumas décadas anteriores a esta fase, as grandes fazendas já come­çavam a ser divididas em sítios meno­res que, por sua vez, fragmentaram-se em chácaras fazendo da região a principal fornecedora de frutas, hortaliças e flores para o restante da cidade. Também per­­tencem a essa época, as duas pri­meiras atividades in­dustriais do Tatuapé e região: a fabricação de tijolos e telhas e a de grandes barcos (de até 16 metros de comprimento) para o transporte flu­vial tanto dos gê­neros produzidos nas chácaras como dos produtos pro­venientes das inúmeras olarias ribeirinhas.

4º período (1940 a 1980) – A partir deste período começam a ser instaladas inúmeras empresas industriais fabricantes de incontável e variado número de produtos manu­faturados. Algumas delas são novas, fundadas na própria região, outras são oriundas de bairros mais centrais em busca de necessária expansão.

5º período (1980 em diante) – Período em que ocorre o “boom” imobiliário com enorme expansão dos setores de comércio e de serviços.
É importante salientar que a divisão exposta acima apenas visa facilitar a compreensão do leitor. Visto o fenômeno do desenvolvimento do Tatuapé e região com mais acuidade, sabemos não ser possível delimitar de forma tão simples as diversas fases. É conveniente dar um esclarecimento sobre essa importante questão. De 1880 a 1940 não podemos afirmar que a região foi somente agrícola, isso pelo fato de, contempo­ranea­mente, terem-se iniciado atividades industriais – tijolos, telhas e barcos. Também as chácaras que ainda dominavam em 1940 as terras do Tatuapé não desapareceram de uma só vez. Foram, isto sim, cedendo gradativamente seus espaços para as indústrias que chegavam. Até meados da década de 50, ainda eram vistas algumas delas. O mesmo pode ser dito do “boom” imobiliário. Não é correto pensar que do dia para a noite as fábricas desapareceram e os prédios de apartamentos, como num passe de mágica, surgiram em seu lugar. Aos poucos as edificações das unidades industriais foram demolidas, dando lugar à construção das centenas de edifícios que hoje são erguidos no bairro. Exemplo disso são as recentes demolições dos prédios da Celite, da Tecelagem Santa Branca e da Douglas Radioelétrica, isso para citar apenas três exemplos. Portanto, o que deve ser compreendido com o exposto acima, é que as diversas fases do desen­volvimento socioeconômico de qualquer região dificilmente se dá de forma abrupta e total. Melhor seria entender que as referidas fases em certo aspecto e durante certo tempo se justapõem. Em face dessas con­siderações concluímos que a fase industrial do Tatuapé e região  ainda não terminou por completo, pois inúmeras são as indústrias que ainda ocupam seu espaço.

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