Na contramão da mobilidade

Sr. redator:
“Ao contrário do que se imaginava, o que mais foi debatido nestes últimos dias não foi a chegada das delegações dos times participantes da Copa do Mundo, tampouco o fato dos turistas aterrissarem para prestigiar os jogos, mas sim, a onda de manifestações que impacta as cidades estrategicamente e tem grande repercussão no exterior.

Se analisarmos as obras de infraestrutura para a Copa, vemos que nada representativo se concretizou no entorno, nenhum legado que traria grandes benefícios após o campeonato. Um exemplo disso é o tão aguardado e comentado trem bala, que faria uma ponte Campinas-São Paulo-Guarulhos-Rio de Janeiro.

A sinalização para se chegar ao ‘Itaquerão’ tem três nomes distintos: ‘Arena Corinthians’ – para quem vai de metrô até a estação Corinthians-Itaquera, ‘Estádio Itaquera’ – para quem vai de carro pela Radial Leste ou utiliza as Marginais e ‘Arena São Paulo’ ao olhar no ingresso.

O fato é que um turista desavisado e mais criterioso vai rapidamente identificar que os nomes não são os mesmos, gerando dúvidas, principalmente se for estrangeiro.

A tendência é de que o número de acidentes seja menor no dia da abertura, uma vez que foi decretado feriado na cidade, facilitando a mobilidade até o estádio. Ainda assim, é necessária uma atenção especial, pois para atender as exigências da Fifa e de uma lei federal, foi liberado o consumo de bebida alcoólica durante os jogos.

Ainda no início de janeiro de 2014, a cidade de São Paulo teve a suspensão da inspeção veicular ambiental, determinação que tem impacto na poluição atmosférica. Depois disso, a Câmara Municipal aprovou a cessação do rodízio veicular, que possui grande possibilidade de ser vetada pela Prefeitura. Ainda assim, deve-se ressaltar as decisões que prejudicam a mobilidade urbana na capital.

O campeonato está aí, em breve os turistas conhecerão um pouquinho da nossa cidade, da mobilidade às manifestações. Estaremos neste turbilhão de emoções torcendo para uma melhor qualidade de vida e boas soluções para a infraestrutura do País.”

Luiz Vicente Figueira de Mello Filho

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