Osteoporose: Repensando a suplementação de cálcio

Osteoporose: Repensando a suplementação de cálcio

Gostamos de pensar que todos os problemas de saúde podem ser resolvidos com um medicamento, uma pílula, um suplemento… E, certamente, muitos são. Especialmente as doenças infecciosas que sucumbem aos antibióticos, antifúngicos e, cada vez mais, aos antivirais.

Mas, mesmo em meio ao grande avanço farmacológico, muitas doenças que continuam a atormentar as pessoas, apesar dos melhores esforços da indústria farmacêutica, ainda não podem ser tratadas assim: apenas com uma pílula.

“Aqui se encaixam a maioria dos problemas crônicos de saúde, relacionados com o estilo de vida, especialmente com o que comemos e bebemos, e se praticamos ou não exercícios físicos. A osteoporose é uma dessas condições cada vez mais prevalentes e onerosas. Embora existam medicamentos para estancar a perda de massa óssea e tratar as fraturas debilitantes que muitas vezes resultam das quedas originadas pela doença, os remédios são caros, difíceis de administrar e, por vezes, têm efeitos colaterais que podem ser piores do que a doença que se destina a combater”, afirma o ortopedista Caio Gonçalves de Souza.

Isso faz com que a prevenção seja a opção de custo-benefício preferencial. Porém, muitos dos esforços para prevenir esta doença óssea se concentraram em uma pílula, ou seja, nos suplementos de cálcio, mineral responsável pela formação óssea na juventude que deve ter seu nível mantido durante toda a vida. “Mas, assim como muitas outras pílulas, consideradas inócuas, a segurança e a eficácia de suplementos de cálcio na prevenção da perda de massa óssea está sendo questionada por alguns pesquisadores”, diz o médico.

FATO INDISCUTÍVEL
Vários estudos têm tentado relacionar os suplementos de cálcio ao aumento do risco de ataques cardíacos e derrames. Muitos não encontraram efeito algum, dependendo da população estudada e de quando a suplementação de cálcio foi iniciada.

“A controvérsia deixou inúmeras pessoas, principalmente as mulheres na pós-menopausa, se perguntando se devem tomar um suplemento de cálcio ou não. Em meio a diversos estudos e pesquisas em andamento, um fato indiscutível é que a melhor fonte de cálcio para se ter ossos resistentes é a dieta, e não os suplementos. Mas são poucos os adultos, adolescentes e crianças que consomem alimentos lácteos ou vegetais em quantidade suficiente para obter a ingestão recomendada deste mineral essencial”, observa Souza.

IMPORTÂNCIA DO CÁLCIO
O cálcio tem várias funções no nosso organismo, tais como auxiliar na contração muscular, nas sinapses (ligações) entre os neurônios, no mecanismo de aderência das células, dentre outras. Quando o corpo não ingere cálcio suficiente em determinado dia para todas estas funções, ele se utiliza da reserva deste mineral que todos nós temos nos ossos. “Logo, retirar o cálcio dos ossos para utilizá-lo em outros locais do corpo é perfeitamente normal. O que não é esperado é que o corpo fique décadas retirando o cálcio dos ossos porque não há absorção suficiente dele devido a erros de alimentação. Isto levará à perda da reserva óssea e à fratura dos mesmos. É justamente para manter esta reserva estável durante a vida que se começou a fazer a suplementação, já que é mais fácil tomar um comprimido do que fazer uma dieta adequada”, explica o ortopedista.

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