Planeta dos Macacos – a Guerra

Planeta dos Macacos – a Guerra

Embora o filme Planeta dos Macacos: a Guerra possa ser visto como uma parábola maior sobre os defeitos da raça humana, a curto prazo, seu conteúdo é um poderoso reflexo da América em declínio. Apesar de ter sido filmado antes da eleição de Trump, a história mostra como são as pessoas que se dispuseram a segui-lo.

O personagem do coronel americano, por exemplo, está sob uma bandeira marcada com os sinais alfa e omega. Ele cooptou o país porque acredita que o “inimigo”, neste caso, macacos hiper-inteligentes e superfortes, irá suplantar a humanidade.

Ao invés de trabalhar para a paz, ele só vê um jogo no qual uma raça sai no topo. No pensamento do coronel, se os macacos querem viver na cidade, eles devem ser “cidadãos” de segunda classe e conhecidos como burros pelas tropas.

Não há humanos bons em Guerra. Não há ninguém que possa ser influenciado, nem voz de razão e compreensão. A personagem Nova, interpretada por Amiah Miller, é humana, mas sua incapacidade de falar e a idade jovem a eliminam do mundo humano e do mundo dos macacos, colocando-a como o início de uma civilização que não será mais a espécie dominante, mas sim deve ser subordinada aos macacos ou viver ao lado deles.

Esse é o tipo de subtexto politicamente rico e esperado por quem acompanha a franquia. O diretor Matt Reeves nunca desilude, mas traz um drama centrado em personagens como o de Andy Serkis, mais uma vez trabalhando sua magia. O público pode ficar deslumbrado com o trabalho da Weta (empresa de computação gráfica), mas se deve reconhecer que os atores são importantes.

Reeves apresenta tudo em um retrato assustador que combina habilmente com as exigências do espetáculo blockbuster. O compositor da trilha sonora, Michael Giacchino, se move habilmente entre tons melancólicos e melodias frenéticas.

Planeta dos Macacos: a Guerra é o episódio mais sombrio até agora, e também o mais forte. Um excelente exemplo de um pensamento claro, ligado e inventivo. A distinção desta série de filmes tem sido seu compromisso com a venerável crença de que a ficção científica pertence à literatura das ideias, e sua vontade de arriscar parece ser levada a sério. Cada episódio perseguiu um problema ético ou político, e cada um mudou o terreno moral de humano para macaco.

A cinematografia de Michael Seresin é surpreendente, capturando a aparência de um filme de macacos de uma forma que não foi feita antes, mas que se encaixa perfeitamente na trilogia. É um triunfo artesanal a serviço de um filme que, na superfície, é sobre macacos assumindo o planeta.

Mesmo quem nunca viu um filme sobre macacos, gosta de ver a série evoluir. Os filmes são projetados tanto para emocionar como para perturbar. A Guerra levanta questões interessantes sobre as regras da civilização, mostrando como uma sociedade cai enquanto outra se eleva, e como se deve pesar a responsabilidade da liderança contra os demônios pessoais.

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