Poder da Odebrecht era sem limite

Como diria Lula, nunca na história desse País uma empreiteira poderia ter tanto poder, mas tem. A Odebrecht tem nas mãos todos os principais políticos do Brasil, em todas as esferas. Sem sombra de dúvida, pode-se dizer que a empresa era a responsável pela vitória ou derrota do candidato em uma eleição, dependendo de quanto o mesmo estivesse “comprometido” com as falcatruas.

Em aproximadamente dez anos, a Odebrecht tornou-se o conglomerado da área da construção mais rico do País. Nesse período, a empresa esteve incluída em todas as grandes obras estruturais do Brasil, além de marcar presença em alguns estádios da Copa de 2014. Em casa fase das construções a rede de corrupção ia aumentando, fazendo com que o esquema não pudesse mais ser desmontado. Assim, a maioria dos candidatos aos principais cargos do Executivo pedia a “benção” à família Odebrecht.

O poder atribuído à empresa era tão grande que ela começou a ser subdividida em setores de propina e caixa dois. A cúpula da Odebrecht ainda colaborava com informações acerca do modelo de depósito para que o beneficiado pudesse sair ileso e não criar problemas para a imagem da empreiteira. Ou seja, como o usuário de droga que não consegue se libertar do vício, políticos faziam fila na porta da empreiteira para buscar “momentos” de prazer.

Com todo o esquema montado, a empresa também serviu de modelo a outras envolvidas em escândalos de corrupção, principalmente na construção dos estádios e em obras federais. Caso da Andrade Gutierrez, responsável pela Arenas Maracanã (Rio), Mané Garrincha (DF), Amazônia (Manaus) e Beira-Rio (Porto Alegre). O mesmo aconteceu com a OAS, que passou a ser investigada por suposto envolvimento em pagamento de propina durante a obra da Arena das Dunas.

Ou seja, com tantas empreiteiras sendo investigadas e com contratos bloqueados pela Justiça, quais empresas serão responsáveis pelos novos projetos? Afinal, o Brasil tem de caminhar em paralelo com o trabalho da Lava Jato, pois precisamos de infraestrutura em aeroportos, portos, transportes e estradas, entre outros setores.

Pegando apenas um dos exemplos, o País costuma alcançar safras recordes em algumas oportunidades. Mesmo assim, passam-se os anos e as estradas em vários estados permanecem em condição lastimável, fato que gera uma grande perda de alimentos. Nesse caso, quando os governadores e prefeitos de cada região irão assumir a responsabilidade por essas vias de escoamento de grãos? Já os grandes produtores, quando também irão respeitar o consumidor interno, comercializando a colheita com preços melhores ao invés deixar cilos abarrotados esperando a alta das sacas no mercado internacional?

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