Quem quer o Ministério da Justiça?

O ex-ministro do STF, Carlos Mário Velloso, recusou o convite para assumir o Ministério da Justiça no lugar de Alexandre de Moraes. Segundo ele, por causa da família e de contratos de exclusividade com clientes. Será mesmo?

Velloso tem 81 anos e estaria com um verdadeiro abacaxi nas mãos, já que Moraes preferiu o apelo político de seu provável novo cargo. O ex-ministro teria pela frente a obrigação de administrar uma verdadeira guerra comandada de dentro de vários presídios do Brasil.

Além disso, vários Estados “jogaram a toalha” com relação à Segurança. Estão deixando o povo abandonado e totalmente exposto à barbárie dos bandidos. Apesar da intervenção das Forças Armadas e da Segurança Nacional em diversos lugares, policiais militares e suas mulheres continuam uma campanha para conseguir melhores salários e condições dignas de trabalho.

Pelo visto, não foi só a família e os contratos que fizeram Velloso recuar da proposta. A verdade é que o Brasil tinha uma bomba relógio chamada presídios que a qualquer momento iria explodir. Principalmente pelos desmandos existentes dentro de diversas prisões, com carcereiros coniventes, diretores de presídios acuados e sem autoridade, sem contar a corrupção, responsável pela entrada de celulares, drogas e outras regalias nas celas.

Vivemos a aparência de que está tudo sob controle. O governo federal assumindo a segurança dos Estados e os governadores agradecendo aliviados pela ajuda, depois de muito custo. Mesmo assim, nós sabemos que Exército, Marinha e Aeronáutica não irão disponibilizar seus homens “ad eternum” para os Estados em conflito, como Espírito Santo e Rio de Janeiro, por exemplo.

Enquanto há um controle paliativo, os governadores e deputados estaduais devem fazer a lição de casa criando leis mais rígidas dentro e fora dos presídios. Os processos dos encarcerados precisam ser reanalisados em regime de mutirão, para que os criminosos cumpram devidamente suas penas.

Os presídios, construídos de maneira ultrapassada e com administrações retrógradas, já não dão conta dos bandidos atuais. Eles se comunicam, se organizam, têm controle financeiro sobre suas atividades. Quando querem estabelecer o caos do lado de fora, os governantes ficam aturdidos, sem saber ao certo qual decisão tomar. Uns negociam, enquanto outros reprimem.

Será que esperar até que uma rebelião se instale é o melhor caminho para se administrar presídios? E o Ministério da Justiça não deveria estar trabalhando com os Estados bem antes de tudo isso acontecer?

A calmaria aparente pode estar sendo sentida de alguma forma. Apesar disso, a população precisa ficar atenta e deve cobrar de seus deputados informações sobre o que está sendo feito. São Paulo aparentemente está distante de viver o descontrole que atingiu o Espírito Santo. Porém, não deve esquecer os danos causados por uma facção criminosa, há alguns anos, na capital. Ou seja, é uma questão importante, como tantas outras, e que deve ser vista como prioridade.

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