REINTEGRAÇÃO BRESSER – Ação está marcada para novembro

REINTEGRAÇÃO BRESSER – Ação está marcada para novembro

Mais uma reintegração de posse do Viaduto Bresser está programada para o dia 13 de novembro. Para o mesmo dia, a Subprefeitura Mooca também pretende desocupar o Viaduto Alcântara Machado, na região do Brás. A informação foi confirmada pelo subprefeito Evando Reis, na última quarta-feira, dia 5, que ressaltou ter a ação embasada em determinação da juíza da Central de Mandados.

DUAS TENTATIVAS

No Viaduto Bresser já ocorreram pelo menos duas tentativas, porém, a Justiça determinou o impedimento da ação, após pedido entregue pelo padre Julio Lancellotti, vigário episcopal do Povo da Rua da Arquidiocese de São Paulo, que alegou incapacidade da subprefeitura para atender a remoção.

PROBLEMAS

Em matérias anteriores, esta Gazeta já havia noticiado uma série de questões que vinham preocupando estudantes, moradores, motoristas e pacientes de hospitais da Bresser. Segundo Jair dos Santos, por exemplo, a passagem de pedestre do viaduto ficou totalmente impedida, pois há barracas em toda a extensão da mesma. Muitos pacientes do IBCC Mooca ou parentes, que descem no ponto de ônibus próximo ao conjunto de moradias, também continuam reclamando de serem abordadas por pessoas com problemas de alcoolismo e drogas. “Infelizmente, nem todos estão lutando por moradia e acabam deixando os pedestres com medo”, ponderou Santos.

DOIS MESES

Após a última intervenção judicial, ocorrida em agosto, que impediu a retirada dos moradores da lateral do Viaduto Bresser e da  Rua Pires do Rio, a Prefeitura precisou aguardar outros dois meses, aproximadamente, para dar entrada em novo pedido de reintegração. Enquanto isso, outras pessoas que ocupam barracos permanecem se espalhando por ruas e praças próximas a Avenida Radial Leste e no entorno da subprefeitura, junto à Rua Taquari.

HISTÓRICO

Segundo a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), o acompanhamento das famílias é feito por meio de abordagens, assembleias, cadastros e encaminhamentos.

A secretaria revelou que, em dois anos, 259 famílias foram beneficiadas com o auxilio aluguel, enquanto outras pessoas foram encaminhadas para Centros de Acolhida da região.

Atualmente a rede socioassistencial conta com 76 centros que, juntos, disponibilizam cerca de 10 mil vagas. Além deles, a Prefeitura havia instalado diversas tendas pela cidade, aproveitando as mesmas utilizadas durante a campanha contra a dengue.

Na região da Bresser e Belém foi criado o Centro de Referência Especializado de Assistência Social para População em Situação de Rua (Centro Pop) com Núcleo de Convivência na Rua Cajuru 362/374. O espaço oferta refeições, além de serviços como a lavagem de roupa, banho, atendimento social individual e em grupo, atividades socioeducativas e encaminhamentos para rede socioassistencial. Três novas Repúblicas para Adultos foram implantadas na mesma região. Duas na Rua Antonio Macedo e uma na Rua Melo Peixoto, 593. Os espaços podem receber até 15 homens em cada serviço.

CENSO

De acordo com o censo de população de rua divulgado pela Prefeitura, com base em dados da Fipe, 15.905 pessoas vivem nesta situação, sendo que 8.570 são atendidas pelos serviços de acolhimento. A última pesquisa envolvendo este grupo, realizada em 2011, apontava para a existência de 14.478 pessoas pelas ruas da cidade. A maioria dos moradores de rua é formada por homens. São 13.046 do sexo masculino e 2.326 do sexo feminino.

MOBILIZAÇÃO

No fim de setembro, integrantes da Comunidade do Cimento e do Espaço de Resistência do Povo de Rua – Tenda Alcântara Machado, grupos formados por moradores de rua da Bresser e da região do Brás, junto a apoiadores, realizaram um ato no centro da cidade contra a ação da Prefeitura.

Conforme os movimentos, o pedido de reintegração de posse visa reintegrar a posse do espaço para deixá-lo vazio ou usá-lo para aumentar o aparato repressivo municipal. Para os dois grupos, curiosamente o ato do governo está programado para um domingo. Eles relatam, ainda, que o prefeito está tranquilo, enquanto grávidas correm o risco de não ter sequer o teto do viaduto quando ganharem seus bebês.

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