‘Samba do crioulo doido’ no Brasil

O Supremo Tribunal Federal, por meio de Marco Aurélio Mello, monocraticamente, concedeu uma liminar para depor o Renan do Senado.

O STF manda a notificação para o Renan, o Renan se esconde e se recusa a receber o oficial de justiça, fazendo-o de “bobo”, em autêntico desrespeito ao judiciário. É o legislativo enfrentando o judiciário.

No dia seguinte, ao invés de mandar prender o Renan, por desobediência à Justiça, o que ocorreria com qualquer mortal brasileiro, o supremo se reúne e, em verdadeira representação teatral, em script preparado a quatro mãos, com um voto inicial do decano Celso de Melo, mudou tudo e até criou o que não existe na Constituição. Ou seja, o Renan fica, mas fora da linha sucessória do Temer.

Claro está que as mãos do Temer falaram mais alto, afinal, quem iria substituir o Renan? Nada mais, nada menos do que Jorge Viana, petista de carteirinha. Seria o mesmo que fazer o PT voltar ao poder, conduzido pelo próprio poder e já com a promessa de que não votaria a PEC do Teto, tão almejada pelo Temer, como tábua de salvação para a recuperação econômica do Brasil.

Aí a ministra Carmen Lúcia diz que fechou a votação exortando a prudência, a independência e harmonia dos poderes. Na verdade, a presidente da corte e os ministros agiram para “baixar a poeira”.

O povo, no último domingo, voltou às ruas e batalhou pelo “fora Renan” e, de repente, o que acontece é o “volta e fica Renan”. Positivamente uma grande frustração, afinal ele é réu em processo de peculato. Não só não pode ser presidente do Senado, como não pode continuar a exercer as funções de senador da República.

Isso tudo aconteceu em dois dias. E, o pior, não saiu o mandado de prisão do Renan. Por isso que o ministro Marco Aurélio Mello disse: “grotesca postura de recusar uma ordem judicial” e pediu apuração de conduta criminosa de Renan.

O Renan saiu vencedor e cantando de galo, morrendo de rir do Supremo e do povo, ambos queriam sua saída, mas o Executivo barrou e influenciou o judiciário. O Renan ainda disse que não sabe por que o Marco Aurélio não pode ouvir falar na revisão dos altos salários, insinuando que a atitude do Marco Aurélio foi tomada em represália, como foi a aceitação da denúncia do crime de peculato pelo Supremo, quando ele chamou um juiz de “juizeco”.

Na verdade, todos saíram perdendo. A desavença entre os poderes só serve para acirrar ainda mais a crise econômica. O investidor externo cada vez mais se afasta do Brasil. As medidas de recuperação são lentas e não são sentidas. A economia continua paralisada, os políticos se digladiam e as questões principais não são atacadas. É só blá, blá, blá, falatório e mais falatório e nada se resolve. Enquanto isso o povo continua desempregado, à mingua e à beira do abismo. Uma lástima.

Já se fala no impeachment do Temer. Aliás, o PT já pediu à Câmara e o Rodrigo Maia disse que aguarda as indicações dos líderes para formar o colegiado. O ministro Marco Aurélio Mello está cobrando isso do Maia.

Sem dúvida, mais uma encrenca para atrasar ainda mais nossa recuperação econômica.

A verdade é que a coisa vai de mal a pior e já não estamos mais acreditando nessa recuperação e estamos vendo o governo Temer naufragar; triste e lamentável.

Sérgio Carreiro de Teves

Deixe um comentário

*