TATUAPÉ – ‘Bailes funk’ geram preocupação

TATUAPÉ – ‘Bailes funk’ geram preocupação

O Conseg do Tatuapé recebeu um número “recorde” de moradores na última segunda-feira, dia 19. De acordo com o secretário do Conselho de Segurança, Jaílson dos Santos, foi registrada a presença de 66 pessoas na reunião, não restando cadeiras vazias. E não foi por menos, pois os grupos de reclamantes, que se dividiram apenas pelos endereços diferentes, tinham o mesmo objetivo: tentar acabar com a realização de “bailes funk” nas proximidades da Avenida Regente Feijó, com Avenida Vereador Abel Ferreira; na Rua José Oscar de Abreu Sampaio, com Rua Francisco Zicardi e na Rua Serra de Botucatu, na altura do número 1.800.

EXIBIÇÃO

Nas duas avenidas, a presença de motoristas com o som dos carros no último volume está ocorrendo na área de conveniência de postos de gasolina. Além de músicas fazendo apologia ao sexo, homens e mulheres se exibem sobre os carros e na própria rua. O morador Sérgio Luz, por exemplo, ressaltou nunca ter presenciado tal situação. A opinião dele foi partilhada por Carlos Eduardo, que chamou atenção para o medo das pessoas. Segundo ele, moradores tradicionais do Anália Franco estão colocando suas casas à venda e indo embora, pois não coseguem aguentar o desrespeito e falta de atitude por parte da Prefeitura.

INTIMIDAÇÃO

O morador relatou que a vizinhança está sendo intimidada por suspeitos. Ele frisou acreditar que, depois da movimentação das pessoas, no sentido de advertir para o perigo, pelo menos três casas da José Oscar foram assaltadas, além de lojas. Eduardo revelou que na esquina com a Francisco Zicardi reúnem-se aproximadamente 800 pessoas. “Nos últimos dois meses, o local transformou-se em um inferno devido às ameaças sofridas constantemente e o desrespeito por parte de motoristas que estacionam na frente das garagens ou de pessoas preocupadas apenas com seu próprio prazer, indiferentes à dificuldade alheia”, desabafou.

SERRA DE BOTUCATU

Na Rua Serra de Botucatu, a questão do barulho interfere na vida não só de quem mora junto ao endereço, mas também daqueles que estão a aproximadamente 200 ou até 500 metros, quando se trata de residentes em condomínios de apartamentos. Conforme os moradores mais próximos aos eventos denunciados, algumas pessoas se reúnem para beber e ouvir música e, horas depois, após a comunicação por meio das redes sociais, já são centenas. A partir daí, não se controla mais a altura do som e muito menos os atos de quem está presente. Inclusive porque, segundo vizinhos, boa parte dos visitantes não é das proximidades.

ALGAZARRA

Diante da dificuldade para se desatar o nó criado, moradores da Comunidade Teleatlas, presentes ao encontro e também incomodados com a algazarra, se propuseram a buscar um acordo com os responsáveis ou participantes das festas. Segundo eles, como a questão está estritamente ligada a altura da música, o diálogo será o melhor caminho para se alcançar um bom termo.

Polícias sugerem ações

De acordo com o comandante da 1ª Cia. do 8º Batalhão da PM, capitão Felipe Lima Simões, a questão da Serra de Botucatu já era de seu conhecimento e havia sido alvo de ação da Polícia Militar, enquanto as denúncias relacionadas à região do Anália Franco eram mais recentes e ainda não constavam em seus dados criminais.

Para o capitão Lima, os temidos “pancadões” devem ser contidos logo no seu início
Para o capitão Lima, os temidos “pancadões” devem ser contidos logo no seu início

O delegado afirmou que o acordo, com o apoio da polícia, pode ser um caminho

O delegado afirmou que o acordo, com o apoio da polícia, pode ser um caminho

‘PANCADÕES’

Para o capitão, os temidos “pancadões”, como algumas pessoas gostam de denominar, devem ser coibidos no princípio, para não se alastrarem pelo bairro. Por isso, segundo ele, o registro do boletim de ocorrência, seja ele eletrônico ou não, ou a comunicação por meio do 190, são muito importantes. “Os roubos a residências na José Oscar e as ameaças, por exemplo, ainda não eram de meu conhecimento. Portanto, faltam detalhes que podem gerar uma ação mais dura e complexa, havendo, inclusive, a integração com a Subprefeitura Mooca, GCM e CET”, explicou.

‘ROLEZINHOS’

Conforme o comandante, são registradas cerca de 40 ocorrências por noite no fim de semana, até mesmo “rolezinhos” organizados no Anália Franco pelo Facebook. “Dentro desse contexto, podemos atuar no que diz respeito à venda de drogas, perturbação do sossego – até um limite -, multas e apreensão de veículos, além de proteção às ações administrativas comandadas pela Prefeitura”, completou Lima.

DELEGADO

Já o delegado assistente do 30º DP – Tatuapé, Alexandre Polito, declarou que a conduta humana não é controlada e, portanto, é preciso agir se utilizando dos meios legais. “O combate ao comércio de drogas é constante. Mesmo assim, ainda há falhas na legislação a serem corrigidas. Isso porque, apesar de ocorrerem diversos flagrantes, seja por tráfico, roubo de celulares, entre outros, muitos suspeitos pagam fiança e vão embora”, contou.

COLABORAR

Para Polito, no caso da Serra de Botucatu, a polícia pode colaborar, mas o acordo, a princípio, deve ser tentado pelas partes envolvidas. Atualmente, a legislação condiciona a vítima a ir ao local do problema, chamar uma viatura da PM e seguir com o acusado para a delegacia mais próxima. Feito o boletim, os dois são liberados, sem a certeza da prisão do suspeito ou da resolução da controvérsia.

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