Tatuapé também tem tradição  quando o assunto é feira livre

Tatuapé também tem tradição quando o assunto é feira livre

“Há mais de 30 anos faço esta feira. Meus pais já trabalhavam nela bem antes. Desde bebê venho com eles! (risos)”, brinca Luciano Lima Franco, ao falar sobre a tradicional feira livre de terça localizada na Rua Santa Gertrudes, no Tatuapé. 

Ele, assim como a maioria dos feirantes (hoje são 12.073 cadastrados na Prefeitura), tem na profissão uma forte ligação familiar. Tatuapeense, tudo teve início com o simpático casal Fátima e Silas. “É preciso ter muita dedicação e amor à profissão”, destacaram. 

O pai de Fátima era feirante e, por causa dele, Silas entrou de cabeça na profissão. Casaram, vieram os filhos, Luciano e Alexandre, e as noras, Lidiane e Renata, respectivamente. Lidiane, que também vem de uma família de feirantes, ajuda o Luciano sempre que necessário. “Precisou estou na feira nos fins de semana”, comentou. 

16 MIL BARRACAS

Dados oficiais apontam que hoje existem na cidade de São Paulo 880 feiras livres e 16.300 barracas. Comemorando o seu centenário agora neste mês de setembro, a primeira feira livre oficial na cidade foi instalada no Largo General Osório, na época, no centro, com 26 feirantes. 

A segunda instalou-se no Largo do Arouche, com 116 feirantes, e até o ano seguinte outras cinco se consolidaram: mais uma em cada um desses pontos e outras três no Largo Morais de Barros, no Largo São Paulo e na Rua São Domingos, na região da Bela Vista.

O TRABALHO

As feiras livres têm início por volta das 6 horas e terminam lá pelas 14 horas. E, para as pessoas encontrarem de tudo, o trabalho começa bem antes, de madrugada. As compras dos produtos são feitas na véspera, no Ceagesp. 

Para se adaptar às necessidades das pessoas tem de tudo um pouco: roupas, utensílios domésticos, consertos rápidos, flores, doces e o irresistível pastel que nunca saiu de cena, entre muitos outros itens. Há feiras livres só de produtos orgânicos, hidropônicos, que acontecem à noite, e a introdução das máquinas de cartões de crédito e débito foi uma verdadeira revolução para os profissionais. 

“Gosto de dizer que, de todos estes anos trabalhando, duas coisas marcam a profissão: a fidelidade dos clientes, com aquela amizade que fazemos em todas as feiras, com aquelas pessoas fiéis que compram semanalmente os nossos produtos, e agora as máquinas de cartões. Se você não tiver, vai perder a venda. Ah, vai!”, completou Luciano, que comercializa verduras e legumes.

FEIRAS NO TATUAPÉ

Para aqueles que ainda não estão familiarizados com a região, saiba os dias e endereços das feiras livres no Tatuapé. Domingo – Rua Tuiuti (78 barracas). Terça – Rua Santa Gertrudes (51 barracas); Rua Andre Vidal (78 barracas) e Rua Mateus Gomes (70 barracas). Quarta – Rua Sebastião Barbosa (49 barracas) e Rua Airi (20 barracas). Quinta – Rua Visconde de Itaboray (28 barracas) e Rua Platina (62 barracas). Sexta – Rua Areião (97 barracas), Rua Antonio Camardo (118 barracas) e Rua Santa Catarina (51 barracas). Sábado – Rua Adelino de Almeida Castilho (13 barracas) e Rua Dr. Corinto Baldoino Costa (uma barraca). Embora a feira do Ceret, na Praça do Trabalhador, no Jardim Anália Franco, não tenha como endereço oficial o Tatuapé, é uma das mais frequentadas pelos moradores e também uma das mais tradicionais. 

SAIBA AINDA

De acordo com a evolução da história das feiras livres, a prática acontece desde 2.000 a.C, no Egito, na Grécia e Roma. Porém, somente em 1914 deu-se a regularização da modalidade do comércio. De acordo com o atual perfil dos feirantes, dos 12.073 cadastrados na cidade, 7.211 (60%) são homens e 4.862 (40%) são mulheres. No que diz respeito à idade, 7.865 (66%) têm de 36 a 65 anos.

E, se de um lado há poucos jovens (de 19 a 25 anos) trabalhando nas feiras (319 ou 3% do total), há ainda uma grande incidência de idosos feirantes: 1.678 (13%) deles têm entre 66 e 85 anos. A maioria trabalha em família e não é à toa que, caminhando pelas mais de 880 feiras da cidade para encontrar casais, pais e filhos do outro lado da barraca, 48% deste perfil esteja presente na Zona Leste, 14% na Zona Norte, 9% na Zona Oeste, e Sul 8% no Centro. 

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