VILA MARIA ZÉLIA: encontro relembra os 100 anos

VILA MARIA ZÉLIA: encontro relembra os 100 anos

A Vila Maria Zélia está festejando 100 anos este mês. Após uma programação de atividades, os organizadores realizam o encerramento das comemorações no  sábado, dia 27, às 20 horas, com o encontro vídeo na praça, que transmitirá “Vila Maria Zélia – 100 anos”.

TRABALHADORES

Trata-se da primeira vila operária do Brasil, construída em 1917, com a chegada das primeiras indústrias na Zona Leste. Com as tecelagens, o número de operários e moradores da região triplicou e consolidou Belém, Belenzinho, Mooca, Brás e Pari como bairros operários. A Vila Maria Zélia foi inaugurada para acolher os trabalhadores da Companhia Nacional de Tecidos de Juta. Foi idealizada pelo dono da fábrica, Jorge Street, e o projeto é atribuído ao arquiteto francês Pedaurriex.

AÇOUGUE

Para dar infraestrutura aos trabalhadores, o empresário Jorge Street criou uma mini cidade, que começou com a Capela São José. As ruas eram numeradas, com a Casa do Administrador ocupando o número 5. Na Rua 2 estavam a sapataria, a pequena chapelaria e o antigo escritório. Na Vila ainda era possível encontrar um açougue e o alojamento dos solteiros. As escolas eram separadas por sexo, para meninos e para meninas. Além dos estabelecimentos de ensino, a área possuía boticário, creche, cooperativa e armazéns com salão de festas, sem contar as 171 casas centenárias com abastecimento de água e eletricidade.

TROCA DE MÃOS

Para a São Paulo dos cortiços, na época, o lugar era avançado e também uma forma de manter empregados sob controle. No entanto, a fábrica mudaria de mãos, e nos anos 30 foi confiscada e fechada, junto com outros prédios, pelo INSS, que no entanto não soube cuidar dos bens. O tempo e o abandono deterioraram e deixaram ruir parte do patrimônio. Sobraram a memória histórica dos moradores e as novas gerações, decididas a preservar e revitalizar a Vila.

ASSOCIAÇÃO

A partir dessa vontade, criou-se a Associação Cultural Vila Maria Zélia, que existe desde 1996, para cuidar da história e do desejo de expressão da comunidade. Atualmente, a entidade cuida do Armazém da Memória, no antigo boticário, do espaço de exposições, e organiza oficinas, debates e eventos culturais. A associação ainda apoia os moradores nas implicações do tombamento de todo o lugar.

Sérgio Murilo Mendes

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