A Peugeot vive um bom momento em todo o mundo. E mesmo no Brasil a marca vem recuperando mercado e prestígio a partir da dessa década. O primeiro movimento importante foi o lançamento da segunda geração do hatch 208, produzido em El Palomar, Argentina, que emplacou mais de 28 mil unidades em 2023. É nessa mesma planta que a Stellantis iniciou a produção este mês de janeiro da segunda geração do SUV compacto 2008, um modelo considerado extremamente estratégico para a marca na América Latina. Este novo 2008, na versão feita na França, foi apresentado no México, um mercado onde a marca tem pouca entrada. No Brasil, a segunda geração do SUV compacto feito na Argentina será lançada ainda no primeiro trimestre, já com o visual atualizado em maio de 2023 em relação ao hatch – que vai passar pelo mesmo face-lift logo na sequência.
O novo design transmite uma forte ideia de evolução, com uma sofisticação impregnada no design. E é uma verdadeira revolução em comparação ao 2008 de primeira geração vendido até agora no Brasil– que deixou de ser produzido em novembro, mas ainda tem unidades à venda. Já em comparação à versão e-2008, já da segunda geração, tem um maior refinamento, com a maior parte das mudanças concentradas para parte frontal.
No novo conjunto ótico, os faróis em led são divididos em três seções, logo acima das luzes de direção. A nova assinatura luminosa passa a ser composta por três friso de led, como referência às garras de um felino. A grade central se mantém sem moldura e é composta por frisos tracejados em leque, na cor da carroceira e traz o novo logotipo do leão ao centro. Um conjunto de frisos cromados delimitam a área da grade.
Nas laterais, destaca-se a linha de cintura alta ascendente a partir da coluna dianteira até a última coluna, que é bem grossa e dá uma imagem de robustez ao SUV. Na traseira, as lanternas em led mantiveram o mesmo formato externo, mas trocam as três seções verticais por seis traços horizontais de cada lado. As duas lanternas continuam conectadas por barra em preto brilhante com o nome Peugeot em destaque.
Por dentro, a cabine do Peugeot 2008 basicamente repete a do hatch. Os materiais são de boa qualidade e, no caso das versões superiores, os bancos são estofados em Alcântara. Os demais componentes também têm um certo refinamento e a montagem é cuidadosa. A central multimídia traz uma tela elevada de 10 polegadas sensível ao toque e conta com os recursos de conectividade que já se tornaram padrão, como espelhamento e carregamento sem fio. O modelo traz o famoso i-Cockpit, em que a linha de visão para o painel é acima do volante. Nessa geração, o mostrador tem também 10 polegadas e efeito 3D – obtido a partir de mostradores com duas camadas.
Todos os comandos seguem o padrão estético da marca em modelos superiores. No console central, há um teclado que concentra comandos como travas, direcionamento de ar e pisca-alerta. A iluminação ambiente muda de cor de acordo com o modo de condução selecionado. Os bancos traseiros têm uma boa disposição de espaço, mesmo com ocupantes altos na frente. O espaço disponível no porta-malas é bem razoável: 434 litros, expansível para 1.467 litros.
No México, o 2008 é animado pelo motor 1.2 turbo, de 136 cv e 23,5 kgfm, versão turbinada do propulsor que equipa o 208 na Argentina. Para o Brasil, a Peugeot inicialmente deve oferecer nas versões de entrada o velho motor EC5 1.6 16 V, que rende 113/120 cv e 15,4/15,7 kgfm, com câmbio automático de seis marchas. Já nas versões intermediárias e de topo devem trazer o propulsor GSE T200 1.0 Turbo flex, de 125/130 cv, com 20,4 kgfm, com câmbio CVT – com performance bem semelhante ao 1.2 turbo francês, com zero a 100 km/h em 9,4 segundos. Os preços não devem fugir muito da faixa de atuação dos rivais, ficando entre R$ 120 mil e R$ 180 mil.
A planilha da fábrica de El Palomar prevê que sejam produzidas 25 mil unidades. Pelo menos metade delas devem destinadas ao mercado brasileiro – o que significa que a previsão é a venda de pouco mais de 1 mil unidades por mês. Isso é cerca de sete vezes o que a primeira geração do modelo vinha emplacando no Brasil. Ainda assim, é uma expectativa modesta diante da notável evolução que o modelo apresenta.
Primeiras impressões
Boa condução e agilidade
Apesar do singular i-Cockpit, que por vezes dificulta a combinação da posição do volante com a visão para o painel, o Peugeot 2008 traz diversas regulagens de banco e volante e é possível encontrar uma boa posição de condução. O motor turbo de três cilindros e 130 cv oferece uma viagem confortável em trechos urbanos, com boa agilidade para se mover através do trânsito. A suspensão também consegue lidar facilmente com lombadas e ruas em más condições. Em estradas mais sinuosas, sem ser desportivo, mostrou equilíbrio, estabilidade e sensação de segurança ao volante.
Em termos de segurança, o modelo traz seis airbags e um bom pacote de assistências à condução. Seu trabalho mais marcante é quando viajamos pela cidade ou pelo trânsito, onde nos avisa de praticamente tudo, sem cair na histeria. Qualquer atualização é necessária, especialmente em um momento em que as propostas de design não são mais tão atemporais. No caso do Peugeot 2008, a evolução não se limitou apenas a ser um rosto bonito, mas também na parte dinâmica e de segurança.





