Quem sempre lutou por um País democrático e com liberdade de imprensa também deve encarar as suas consequências e responsabilidades. Se pensarmos bem, ainda somos jovens em matéria de manutenção de um regime político que se diz liberto das amarras ditatoriais. Por isso, sabíamos que, em determinado momento, não mostraríamos só coisas boas, como foram as mortes de PC Farias, ainda hoje misteriosa, do prefeito de Santo André, Celso Daniel, os dólares na cueca, a denúncia do mensalão, entre outras mazelas.
A fragilidade demonstrada pelos principais partidos do Brasil mostra que um país sério só se faz com atitudes honestas. Pois quando os políticos resolvem agir de outra maneira, se afogam na lama da corrupção e de favores sem escrúpulo. Hoje podemos dizer que o País vive um momento no qual a Justiça começa a se fazer presente, apesar das críticas relacionadas à postura de alguns de nossos ministros do STF.
Desta maneira o Brasil inicia uma caminhada importante rumo a uma realidade que se buscava há muito tempo. A de ver homens públicos assumirem seus erros e suas culpas, mesmo que as condenações não sejam tão duras quanto deveriam ser. De qualquer forma, estarão marcados e, provavelmente, deverão se afastar da política, até para não enlamearem o trabalho de quem vem atrás.
Sorte a nossa que começaram a mexer na ferida, pois é uma maneira de limpá-la para iniciar o processo de cura, mesmo que sejam necessários outros dez anos. Pelo menos nossos filhos, netos ou bisnetos poderão ter um novo discurso diante dos que quiserem ofender ou fazer chacota do Brasil. Temos de ser otimistas neste processo tão lento quanto a tartaruga tentando alcançar a lebre. Acreditar no fato de que ela pode ter levado vantagem no início, porém a confiança de quem estava atrás era maior.
Para isso, teremos de ter serenidade para encarar as turbulências que ainda vêm pela frente. Um a um os castelos de areia vão caindo, assim como as máscaras. Não dá mais para esconder a desfaçatez e a falsa moralidade, pois mesmo que as palavras encubram, as assinaturas em documentos e os depósitos em contas desmentem. Aí fica feio para nós como povo brasileiro, principalmente quando estivermos lá fora como turistas ou para fazer negócios.
Depois não podemos reclamar por sermos reconhecidos pelo futebol e pelo carnaval, sem contar o turismo sexual, outra marca que o Brasil ainda não conseguiu apagar. Não há como negar o quanto ainda somos pequenos em determinadas áreas. Até porque deixamos nossas potencialidades de lado para exaltarmos coisas menos importantes. Como? Pergunte para alguém sobre nossos grandes pesquisadores. Onde estão? Agora pergunte para a mesma pessoa se ela reparou que uma ex-BBB colocou silicone nos seios?
Assim queremos ter um Brasil com políticos honestos? Não dá! Por isso temos de cortar a própria carne e revelar para todo o mundo nossa vontade de melhorar. Nossa intenção de apostar no fim das falcatruas e ‘maracutaias’. Ter orgulho do próprio país é bom, mas poder olhar nos olhos dos outros em pé de igualdade é melhor ainda.
Foi assim que alguns países da Europa se desenvolveram. Caminhando passo a passo, acreditando na educação, no trabalho e na honradez de homens e mulheres, políticos ou não. Detalhe: de modo algum quero agora nos comparar aos europeus, pois eles estão séculos à nossa frente. No entanto, pretendo sim, lembrar que, se temos bons exemplos, por qual motivo precisamos seguir os maus?