Mais uma vez o deputado federal Paulo Maluf voltou a ser lembrado pela Justiça da ilha de Jersey, paraíso fiscal britânico. Ela determinou que as duas empresas atribuídas à sua família devolvam R$ 45,6 milhões à Prefeitura. O parlamentar é acusado de ter desviado esse valor no período em que foi prefeito de São Paulo, de 1993 a 1996.
Por mais esdrúxulo que possa parecer, os advogados de Maluf já entraram na Justiça com recurso alegando que, quando as operações financeiras foram feitas, ele não era mais prefeito. Sendo assim, para eles, não tem como o deputado ser considerado culpado, pois estaria ileso de tais acusações.
Se fizermos as contas, de 93, até agora, já se passaram 19 anos. Nesse período, conhecemos casos como “Frangogate”, relativo à venda irregular de coxas e sobrecoxas de frango para a Prefeitura e Eucatex, no qual a empresa controlada pela família Maluf seria suposta beneficiária de US$ 166 milhões que teriam sido desviados. Depois de tanto tempo, as obras da Avenida Água Espraiada seguem perseguindo o deputado por suspeita de irregularidades.
Mesmo assim, apesar de muitas acusações e algumas condenações também, Maluf foi eleito como um dos deputados federais mais votados, principalmente em São Paulo. Não é a toa que o político leva os jornalistas na brincadeira quando questionado sobre seu envolvimento nesses casos: ele recebeu mais de 500 mil votos!
Se ele mantiver a mesma margem de eleitores nas próximas eleições, já poderá se considerar aposentado, com um ótimo salário, como deputado federal. Isso, se após a posse de Fernando Haddad, Maluf não “beliscar” uma secretaria de governo, o que é bem provável, e aumentar um pouquinho mais os seus dividendos e sua presença política.
Como analisar uma história como essa? O dito “paladino” da Democracia, Lula, e seu principal trunfo, Haddad, ao lado do “filho” da Ditadura, Maluf. Todos caminhando com um único objetivo: administrar bem a maior cidade da América Latina, com suas diferenças e principalmente suas riquezas.
Talvez, dessa maneira, um vá tentando ajudar o outro a libertar seus nomes de mazelas políticas e de questões econômicas escusas. Enquanto isso, Haddad terá de tentar controlar o jogo de interesses e de vaidades que terá nas mãos a partir de janeiro de 2013. Principalmente a sombra de Maluf, que volta e meia é lembrado pela imprensa de forma negativa por um passado questionável.
Cabe a nós, mais uma vez, refletirmos sobre nossos atos, sobretudo nas urnas. Não adianta chorarmos sobre o leite derramado. Precisamos descobrir mais sobre nossa própria história do passado para não cometermos os mesmo erros no futuro. Está tudo diante de nós, nos livros, nos jornais, na Internet. Basta um pouco de paciência para pesquisar e ver que os fatos de agora já ocorrem a muitos anos, no entanto, poucos se dão ao trabalho de procurar.
Lula apostou em Haddad para chegar ao governo de coalisão. Com um representante jovem, poderia aproximar outros nomes fortes para a Prefeitura. Assim, o próximo passo é buscar a reeleição daqui quatro anos, tentar conquistar o governo do Estado, na mão do PSDB há cerca de 20 anos e manter o PT na presidência. Mais uma vez, a história está se conjecturando à nossa frente, contudo, é preciso ter atenção para perceber e não deixar os assombros do passado retornarem.
Do contrário, tudo continuará se repetindo, inclusive o sorriso dos políticos que, com desfaçatez, estarão esperando nossos votos.