Ao longo de todo o ano, Alex Escobar acompanha a rotina intensa e exaustiva dos mais diversos jogadores brasileiros durante a longuíssima temporada do futebol nacional. No entanto, uma vez ao ano, o jornalista esportivo também precisa ter um verdadeiro fôlego de atleta para encarar uma maratona no Carnaval. Bem longe dos campos ou das quadras, Escobar, que foi escalado para apresentar os desfiles do Grupo Especial de São Paulo, dias 9 e 10 de fevereiro, e também para as duas noites de espetáculo na Marquês de Sapucaí, na apresentação das escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro, domingo dia 11 e segunda dia 12. “A gente tem de levar alegria, felicidade, cumprir com nossas funções, mas se divertir também. A energia que vem da arquibancada contagia todo mundo”, explica.
Na Sapucaí, Escobar estará acompanhado de Karine Alves e Milton Cunha. O trio estará ao lado do sambista Pretinho da Serrinha e o jornalista Leonardo Bruno, que ficarão responsáveis pelos comentários da festa. “Faremos um trio afiado e feliz, eu, Karine e o Milton Cunha, que é uma enciclopédia de Carnaval, traz uma personalidade, uma luz enorme à transmissão”, vibra.
P – Pela primeira vez, o mesmo time de apresentadores foi escalado para os desfiles de São Paulo e do Rio de Janeiro. Vai ser uma maratona?
R – Está sendo ser histórico para a Globo, para quem assiste e para nós, que estamos nas transmissões. Estou muito animado para fazer esse Carnaval 2024. Temos um timaço que vai fazer um Carnaval histórico, no Rio e em São Paulo, justamente por mantermos praticamente o mesmo time nas duas cidades, dando a mesma importância para os dois desfiles. Eu, Milton Cunha e a Karine Alves, que estreia esse ano, estamos com uma parceria afinada que eu espero que dure muito tempo.
P – Essa mudança influenciou de que forma na sua preparação para aguentar todos os dias de folia?
R – Eu tenho a experiência de, nos dois últimos carnavais, já ter feito isso: uma semana antes do Carnaval, eu vou ajustando meu fuso para o fuso dos desfiles. Cada dia eu vou dormir uma hora mais tarde e vou ajustando meu relógio biológico. Porque eu fico cansado, mas não fico com aquele sono absurdo. Só o cansaço natural da maratona da madrugada.
P – É a primeira vez que você estará ao lado da Karine Alves. Como tem sido essa parceria?
R – A Karine entende, tem o samba na veia, é uma pessoa muito musical, canta bem, acompanha as escolas de samba há muito tempo, então é uma parceira que já chega pronta para esse desafio. Faremos um trio afiado e feliz, eu, Karine e o Milton Cunha, que é uma enciclopédia de Carnaval, traz uma personalidade, uma luz enorme à transmissão. O Carnaval pede isso: a gente tem que levar alegria, felicidade, cumprir com nossas funções, mas se divertir também. Tenho certeza de que a Karine vai trazer essa alegria, leveza, esse sorriso, essa diversão genuína de quem gosta de Carnaval.
P – De que forma você seleciona a enxurrada de informações ao longo dos desfiles?
R – Sou um comunicador ali. Alguém que tenta ter a sensibilidade de jogar para o público as informações mais relevantes. Eu sou um entusiasta da festa, mas, ao mesmo tempo, me sinto como um convidado, uma parte pequena daquilo ali. A minha função é fazer os artistas brilharem. Não só os carnavalescos, cada passista, cada destaque, cada folião. Eles são os protagonistas. Eu sou um comunicador do que acontece ali.
P – No ano passado, o “Fantástico” completou 50 anos no ar. Como você analisa a sua trajetória no programa até o momento?
R – É uma honra e uma alegria. É mais do que eu poderia sonhar. É incrível poder fazer parte dessa história de 50 anos do “Fantástico”. O “Fantástico” é a vida, né? Tem o drama, tem música, tem festa e a gente finaliza com o esporte de forma leve e para cima. O público vai dormir mais leve depois de passar por tantas emoções durante a semana e o próprio “Fantástico”. Lembro muito do dia em que soube que substituiria o Tadeu.
P – Como funcionou esse processo?
R – Fiquei sabendo que o Tadeu sairia para comandar o “BBB”. Fiquei viúvo porque gostava demais do trabalho dele. Uns três dias depois, eu fui comunicado que iria substituí-lo. Durante um bom tempo, foi um desafio enorme para mim.
P – Em que sentido?
R – Fiquei muito nervoso e estava sentindo essa responsabilidade. Mas eu fiquei assim porque entrei numa de ver como o Tadeu fazia. Eu não conseguia me desprender do jeito que ele fazia. Era muito bom, né? Virou uma referência grande demais. Entendi que precisava não ver mais o Tadeu. Eu tinha de me descobrir naquele espaço. Todo mundo (na equipe) me ajudou demais. Hoje tem até cavalinho careca (risos).
P – Há pouco mais de dois anos à frente do bloco esportivo do “Fantástico”, quais as maiores dificuldades até então?
R – Acho que estamos em um momento muito difícil e triste no futebol brasileiro e mundial. Então, é importante o jeito que a gente faz os gols da rodada no “Fantástico”, com os cavalinhos com as camisas dos times. Tem muita briga entre torcidas, gente morrendo. Está difícil falar dessa paixão pelos clubes. A gente sempre busca fazer de uma forma leve, respeitosa e sem ofender ninguém. Tenho maior cuidado com isso.
Desfile das Escolas de Samba de São Paulo e do Rio de Janeiro – Globo ‑ depois de “Renascer”, dias 9, 10 e 12 de fevereiro e depois do “Fantástico” dia 11.
Ídolo na tevê
Alex Escobar sempre acompanhou o bloco esportivo do “Fantástico”. Por isso, quando encontra com Leo Batista pelos corredores da Globo, o jornalista faz questão de relembrar suas memórias. “Eu sempre falo da zebrinha. Ele também adora contar as histórias da zebrinha”, afirma.
Escobar chegou a comandar uma matéria em homenagem ao lendário jornalista no “Globo Esporte”. “Conversamos com ele num zoológico e ficava uma zebra passando atrás. O Leo Batista foi disruptivo no ‘Fantástico’”, relembra.
Memória musical
Ao longo das cinco décadas do “Fantástico”, Alex Escobar acompanhou diversos momentos importantes da história. Porém, aos 49 anos, o jornalista ficou marcado pelos lançamentos musicais da revista eletrônica nas décadas de 1980 e 1990. “Os jovens, que já nasceram com a internet, não sabem do que estou falando, mas o ‘Fantástico’ trazia grandes lançamentos em primeira mão. Grandes artistas nacionais e internacionais lançavam suas músicas primeiro lá”, aponta.
Instantâneas
# Escobar também estará na transmissão do Desfile das Campeãs, que irá ao ar pelo Multishow no sábado, dia 17. Com Milton Cunha por toda a avenida, ele e Karine Alves comandam a transmissão ao lado dos comentaristas Leonardo Bruno e Lucinha Nobre direto do estúdio de vidro, localizado na Praça da Apoteose.
# Antes de ser jornalista esportivo, Escobar trabalhou como comissário de voo.
# Escobar chegou a participar da primeira temporada do reality musical “Popstar”.
# Em 2014, Escobar narrou alguns jogos da Copa do Mundo no Brasil.
