Criaram de última hora um tal movimento chamado de MPL (Movimento Passe Livre) e partiram para um protesto, com cerca de mil pessoas, contra o aumento das tarifas dos ônibus e Metrô. O acréscimo na passagem já estava programado para o começo do ano, mas foi adiado, a pedido da Dilma, para este mês no sentido de conter a inflação.
Como sempre, ao invés de fazer o movimento na frente do Palácio do Governo ou de sua casa, ou mesmo na frente da Prefeitura, ou na frente da casa do prefeito, ou ainda na frente do Palácio do Planalto, ou na frente da casa da presidente, os manifestantes fizeram na Avenida Paulista. O local é um cartão de visita da cidade de São Paulo, o centro econômico, financeiro e nervoso, onde milhares de pessoas trabalham, inclusive em suas cercanias. Infernizaram, como sempre, a vida do cidadão que nada tem a ver com esses movimentos “orquestrados” por baderneiros, que nada fazem na vida a não ser aproveitar-se desse tipo de ocasião.
O horário predileto é o de “pico”, seis horas da tarde, aliás, como fizeram recentemente os professores, tudo para fechar a cidade e fazê-la sofrer mais do que sofre nas situações normais do dia a dia. Eles não fecharam só a Avenida Paulista, fecharam também a 23 de Maio e a 9 de Julho, as únicas vias de acesso ao centro e, com isso, chamaram a atenção da imprensa em geral, ganharam manchetes na televisão, cobertura por helicóptero e outros quetais, sendo exatamente isso que tencionavam e conseguiram.
No final, o que conseguiram? O ódio ainda maior da população que sofreu os amargores de congestionamentos infindáveis e a perda de precioso tempo dentro de seus veículos ou dos transportes coletivos. Invadiram o Shopping Paulista, fecharam lojas mais cedo, obrigaram a Polícia a atuar com bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e balas de borracha, além de quebrarem vitrines e saquearem uma banca de jornal. E o que resolveram? Absolutamente nada, e pelo menos 50 pessoas ficaram feridas.
O preço das passagens continua o mesmo e nada acontecerá, porque essa medida já se fazia necessária há tempo, em razão da alta de todos os insumos que envolvem o custo do transporte. Claro que ninguém é contra um movimento dessa espécie; havia outra forma de recompensar a alta do custo, já que estamos sob a batuta de um “governo do povo para o povo”, como os petistas falam, então o governo deveria subsidiar o custo para as companhias e segurar o preço.
Como é só de fachada essa expressão do PT de que faz “o governo do povo para o povo”, na hora em que se faz necessária uma intervenção séria, ele puxa o freio e deixa o povo se matando nas ruas, jogando tudo nas mãos da Polícia, que acaba machucando pessoas levando a culpa do tumulto, quando, em verdade, nada mais fez do que tentar manter a ordem trazendo a cidade para a vida normal em seu dia a dia.
Por outro lado, o governo precisa se preparar, porque o movimento, que foi incentivado e divulgado pelo Facebook, não foi por amadores, mas por anarquistas profissionais. Pode ser que, apesar de todo o transtorno causado em local e hora impróprios, esteja nascendo um movimento que começa a ameaçar as estruturas do PT, que pensava perpetuar-se no poder, e assim se manteria para toda vida às custas das “bolsas”. Pensava em instalar um regime ditatorial igual ao dos militares para não sair mais e com o apoio do povo, mas, ao que tudo indica, o modelo esgotou-se, o povo já não está aceitando só as “bolsas”. Quer muito mais e vai cobrar isso nas urnas.
A fragilidade do governo em conter a inflação começa a ameaçar a estabilidade petista e já há um clamor para muito mais, exatamente, mudanças como a extinção dessa ditadura petista que incomoda muito, porque não só de pão vive o homem. Ele vive de muito mais, e esse muito mais o PT não tem capacidade para dar, até porque ninguém dá o que não tem: cultura, honestidade, decência, correção e bons princípios.
O modelo esgotou-se. Aí está um movimento de mil pessoas; é pouco, mas foi assim que começaram os “caras-pintadas” e acabaram depondo um governo também eleito pela vontade do povo, e o próprio povo o depôs porque efetivamente havia decepcionado-se com o então “caçador de marajás”, que não era nada do que dele se esperava.
Se for para continuar os movimentos, que o sejam, mas dentro da ordem, respeitando os direitos de todos. Não será com essa desorganização que se chegará a alguma coisa, como não se chegou. O governo que se acautele; ele não está mais dando as cartas e jogando de mão, como pensam seus principais líderes.