O crescimento do Produto Interno Bruto do Brasil, de 0,9%, em 2012, apresentado pelo IBGE, na semana passada, mostra o quanto o País ainda é pequeno com relação à maneira como é administrado.
O setor agropecuário, por exemplo, teve um decréscimo de 2,3% em sua produção. Já a indústria, viu seus números caírem 0,8%. Esses índices mostram uma incoerência tão grande, que chega a ser risível o que acontece aqui. Com relação a agroindústria, como conseguimos decair a patamares negativos, se temos uma das maiores faixas de terra do mundo. Além disso, contamos com rios banhando diversos Estados e cidades.
Nos faltam tratores, insumos agrícolas, mão de obra, engenheiros agrônomos competentes? Não. O problema é que os governos federal e estadual pensam de uma forma, enquanto o agricultor pensa de outra. Presidente e governador querem arrecadar impostos, mas não favorecem o trabalhador rural e o microempreendedor. Os impostos são altos, eles não conseguem armazenar a produção com segurança e o consumidor acaba não comprando. Sem incentivo, a colheita cai, as prateleiras ficam vazias e os preços sobem. Para muitos dos grandes produtores, esta situação não importa, pois eles estão investindo na exportação. Quando ela sofre algum impacto negativo, eles correm para pressionar o governo para que o dólar seja valorizado em relação ao Real.
No caso da indústria, os problemas são parecidos, mas o nível de competição é ainda maior em alguns setores, como o da área têxtil, por exemplo. Como os brasileiros vão valorizar seus produtos quando chineses, coreanos e bolivianos conseguem produzir com mão de obra escrava e não pagar impostos, utilizando-se, muitas vezes, de empresas clandestinas? Não há como.
Nosso setor de combustíveis é outra piada. O governo brada aos quatro ventos suas grandes jazidas de petróleo, depois divulga suas pesquisas e conquistas na produção de etanol, no entanto vende a gasolina e o álcool mais caros e impuros do mundo.
O lado mostrado como positivo, relativo ao crescimento do consumo das famílias em 3,1%, também é questionável. Isto porque sabemos o quanto as pessoas estão se endividando para manter um padrão de vida melhor. Sorte das administradoras de cartões de crédito e das pequenas financeiras que emprestam dinheiro descontando na folha de pagamento.
Nosso PIB é menor do que o do México, Estados Unidos e Rússia por conta dos governos gostarem de cultivar o subdesenvolvimento. Politicamente isso é bom, porque é possível manter os mais pobres no cabresto. Analfabetos, desempregados, doentes, sem casa própria e alienados com relação ao mundo dos menos pobres ou classe C, como dizem.
Quem não tem o que comer sequer tem forças para lembrar que o Brasil se propôs a ajudar os EUA financeiramente durante a crise daquele país. Emprestaria o dinheiro a fundo perdido até a recuperação da economia americana. E agora que o “Tio Sam” está bem? Irá nos ajudar?
Nem eles, nem chineses, russos ou mexicanos. Por enquanto abrimos nossos portos para receber todo o lixo produzido por outros países. Autorizamos a entrada de bens que terão preço de banana no mercado e taxamos nossa própria produção a peso de ouro. Não é à toa que os projetos surgem, mas as indústrias fogem dos impostos brasileiros. Vejam Itaquera, por exemplo, ganhou uma Operação Urbana, dispôs de diversos terrenos, mas, até agora, só ficou na promessa.