A campanha eleitoral está chegando ao seu ápice e, com ela, a sujeira na cidade. Ainda não é possível ver muitos santinhos espalhados pelas ruas, mas, em compensação, vivemos a febre dos cavaletes com as fotos dos candidatos.
Eles são tantos que, em alguns lugares, você não consegue sequer caminhar pela calçada. É como se a Lei Cidade Limpa valesse somente até o início da campanha e depois fosse anulada. São milhares de trambolhos em ruas, avenidas, canteiros, praças e áreas verdes. Os políticos acreditam que isso realmente dê resultado na urna?
O efeito me parece contrário ao invés de ser positivo para quem depositou tanto dinheiro nisso. Na Internet, por exemplo, é possível encontrar campanhas como: “Cavalete Não! Por uma eleição sem poluição!” ou “Você já chutou seu cavalete hoje?”. Com bom humor elas lembram aos eleitores que não há a necessidade de se fazer isso.
Diante disso, é incoerente o fato de que candidatos defensores de uma cidade mais limpa, com coleta seletiva e serviço de varrição mais eficiente, deixem seus correligionários colocarem cavaletes nas ruas.
O perfil do eleitor está mudando. Com isso, o voto deles passou a ser mais espontâneo e deixou de estar preso a algum tipo de favor. Isto nos leva a crer que o número de pessoas interessadas em uma cidade mais bonita também aumentou. Sendo assim, o candidato “porcão” ficará cada vez mais distante da Câmara Municipal ou do Palácio das Indústrias.
Convenhamos, é triste ver que muitos políticos se afastam ao invés de se aproximar da população. Ao preferirem fazer as campanhas “de gabinete” se esquivam de ter de falar com o eleitorado cara a cara. Pois é, explicar as primeiras propostas, no caso dos marinheiros de primeira viagem, e dar continuidade à defesa de projetos importantes para a cidade, no caso dos veteranos. Como isso não ocorre de forma contumaz, as pessoas ficam descrentes. Daí, não adianta por a culpa na imprensa ou na falta de sorte.
Colocar cavaletes nas ruas, distribuir santinhos e colar fotografias em vidros de carros é fácil. O difícil é se dispor a receber críticas ou mesmo ouvir sugestões. Contudo, daqui em diante esta será a nova realidade para a classe política, caso ela queira permanecer em evidência. Os atos de desonestidade estão sendo cada vez mais execrados pela população e, em contrapartida, a Justiça tem dado mostras de que, em parte, a corrupção está sendo punida.
Portanto, aviso aos navegantes: é melhor começar certo para não cair no esquecimento. Hoje, muitos candidatos estão sofrendo o revés do que fizeram no passado. Para os mais jovens ou novos políticos, fica o alerta: não se deixe iludir pelo velho modelo, pois, um a um os “medalhões” estão ficando para trás já que não se reciclaram. Muitos que conquistavam um mandato após o outro estão saindo da Câmara e não conseguem voltar. Porquê será?
Quem gosta da cidade parece estar mais preocupado com o que pode acontecer a partir de 2013. Nos últimos quatro anos, o paulistano sentiu o drama de ver alguns projetos empacarem, como o da melhora no transporte público, além de perceber o desrespeito ao Cidade Limpa, um dos mais elogiados pelos moradores. Por conta disso, e de outros motivos, começa a descobrir a sua importância neste contexto, inclusive nas urnas.