É difícil combater a corrupção em um país no qual a cultura de apostar nos ‘mais espertos’ ainda é cultuada. Sim, quando vemos deputados federais defendendo seus próprios negócios, em detrimento da busca pela verdade, percebemos que o interesse maior está em saber quem irá sair perdendo ou ganhando. Assim é com a discussão da CPI de Carlinhos Cachoeira, que teve os trabalhos encerrados pelos políticos que apoiam o governo Dilma, mesmo eles tendo a possibilidade de prorrogar o debate.
A situação é tão trágica que, do lado da oposição, o PSDB tenta proteger o governador Marconi Perillo, investigado por suas relações com Cachoeira. Isso sem contar as empresas fantasmas que receberam milhões da empreiteira Delta Construções e também ficarão de fora com o fim da Comissão Parlamentar de Inquérito.
Lamentavelmente a pizza vai para o forno, só resta sabermos o tamanho dela, pois os representantes dos dois maiores partidos do Brasil estão pisando em ovos, apesar dos discursos inflamados em defesa da ética e da probidade. É o verdadeiro teatro do absurdo, com reis, rainhas, chefes da guarda e até os bobos da corte, que talvez não seja difícil adivinhar quem são.
Assim caminha a história da corrupção brasileira com nossos grandes atores congressistas, uns mais canastrões, outros menos. Sendo assim, só podemos desejar que os próximos capítulos voltem a ser emocionantes, como no caso do julgamento do ‘mensalão’, com as condenações de José Genuíno, José Dirceu, entre outros, pelo STF.
Pelo menos é o que promete, com a continuação dos depoimentos do outro condenado, Marcos Valério. Isso porque na semana anterior ele citou os nomes de Lula e Antonio Palocci, que não constam do julgamento do Supremo.
Taí, mais ingredientes quentes para colocar o Brasil no rumo dos países sérios e comprometidos com a lisura. Será? Vamos ver quanto tempo a memória de nosso povo e a própria imprensa conseguem manter viva toda essa história.
Daqui para o fim do ano são mais dois meses. Um novo prefeito em São Paulo em janeiro, as obras do estádio do Corinthians avançam, os nossos nobres deputados curtem suas ‘merecidas’ férias e a vida segue.
Aí vem o Carnaval e o povo festeja pela vitória de sua escola de samba. Lá para março de 2013, mais ou menos, o Brasil acorda, como de uma noite mal dormida, a passos lentos, até chegar ao prumo. A partir daí, então, vamos retomar a discussão sobre Marcos Valério, ‘mensalão’, improbidades administrativas e outros temas corriqueiros no Brasil.
Com isso, pergunto: voltaremos a estes temas com a mesma vontade de mostrar os podres de nossa política? Estaremos com os pensamentos firmes em continuar nossa trajetória em direção a uma postura mais consciente de nossa realidade? Caso a resposta seja não, será uma vergonha muito grande, pois cada vez mais os líderes de outras nações estarão interessados em nossa história e nosso modo de ser e agir.
Surge à nossa frente mais uma oportunidade de dar um grande exemplo e punir aqueles que estão em dívida com a população. Se deixarmos ela passar, não saberemos se toda a estrutura envolvida no julgamento do ‘mensalão’, por exemplo, estará pronta novamente. Se não, começaremos tudo do zero e descobriremos que muito do esforço pode ter sido em vão. A opção é nossa. Podemos lembrar, cobrar ou simplesmente saborearmos mais uma meia calabreza, meia mussarela, se for de nosso gosto.