Especialmente falando-se de Brasil, por onde se anda e se mexe, a erva daninha da corrupção aparece. É mesmo um mal enraizado no poder público, com forte colaboração dos contribuintes. Só existe corrupto, porque existe o corruptor, logo, o mal está nos dois lados, mas se não houvesse facilitação, o corruptor não se atreveria, porém, como o interesse é dos dois lados, quem sai perdendo sempre é o erário público e, como consequência direta, o povo.
A mais nova descoberta é a Operação Lava Rápido da Polícia Federal, que consistia na investigação do desvio de processos fiscais e infrações a empresas com servidoras envolvidas e que citam em seus depoimentos omissão do Tribunal de Impostos e Taxas da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo.
Os juízes do TIT da Secretaria da Fazenda de São Paulo são citados em relatórios da Operação Lava Rápido. Quem os menciona são servidoras administrativas que foram corrompidas pelos mentores da trama, ou seja, três empresários que encomendavam o sumiço dos procedimentos fiscais, tendo elas informado que recebiam dinheiro e “agrados” dos juízes. Estes representam a última esfera administrativa; depois deles, os processos ainda poderão ser julgados no Judiciário.
Não são togados, existem aqueles que são servidores públicos indicados pela Fazenda e pela Procuradoria – Geral do Estado e que representam o Estado e outros são juízes dos contribuintes indicados pelas entidades de diversos setores envolvidos com a tributação estadual.
Além da corrupção estadual, também está em investigação a corrupção municipal envolvendo um “ídolo” nacional, um campeão olímpico, Aurélio Miguel: quando ingressou como vereador, nobre representante do povo, tinha um patrimônio de R$ 870 mil (R$ 1,4 milhão em valores corrigidos pela inflação), agora seu patrimônio é de R$ 25 milhões, com salário de vereador, e está fortemente envolvido em questão de aprovação de plantas, especialmente do Shopping Paulista.
Como se pode ver, depois do “mensalão”, ainda há muita coisa a investigar e aparecer. O Brasil parece que é o “paraíso” da corrupção. É por todos os lados, por todos os poderes, por todas as repartições públicas; não há mais nada sério, nem se sabe em quem acreditar.
Depois do governo Lula, sem sombra de dúvidas, como o exemplo vinha de cima, ninguém mais segura nada, não há o mínimo de seriedade com o poder público. A credibilidade é zero; veja como atuaram os nobres deputados federais e senadores, quem eles elegeram para a presidência de suas casas; é o mesmo que dizer: “colocar a raposa para cuidar das galinhas”, sai Sarney entra Renan. Diriam alhures: “só mudaram as moscas ”.
Iniciado o ano legislativo após as eleições, veio o carnaval. Reiniciado o ano na quarta-feira, aparecem dois deputados e o resto estava nas bases.
Dá para acreditar nessa gente, dá para respeitar essa gente? Com certeza não. Não merecem respeito ou consideração, como eles também não nos respeitam, e somos nós que pagamos seus salários.
Depois vem o Zé Dirceu e diz que a “ditadura da mídia” é a culpada. Claro que ele queria que tudo continuasse acontecendo e nada fosse revelado. Não dá para se calar. Eles é que dão o motivo, fazem a notícia e a mídia apenas divulga, não cria fatos ou notícias, mas divulga e comenta. Este é o seu papel.
Quem não quer ser notícia, que não faça notícia, que se comporte como gente decente. Agindo na forma como agem, não há outra solução. Essa falcatrua dos servidores estaduais não podia passar impune, tinha que vir a público para que todos soubessem o que realmente acontece por debaixo do pano: enquanto uns pagam religiosamente seus impostos, outros sonegam e ainda contam com as “benesses” de juízes corruptos que vendem suas decisões, que fazem desaparecer os processos.
Outros aprovam plantas irregulares e constroem o que querem, enquanto outros seguem a lei e só constroem o que manda a lei ganhando menos, enquanto outros ganham mais, porque compram servidores corruptos.
Esse é o retrato do Brasil e da corrupção. Sr. Zé Dirceu, desculpe, mas não dá para ficar calado.