Apesar de estar blindado contra as denúncias do ‘Mensalão’, o governo Dilma tem um osso duro de roer pela frente: as greves. Primeiro foram os professores das universidades federais e depois os servidores federais, incluindo Polícia Federal, Receita e Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
Diante disso, é hora da presidenta mostrar seu poder de negociação e também de respeito por esses profissionais e pelas instituições. No caso dos professores, eles vêm sendo afrontados há anos, aliás, a educação de maneira geral vem sendo jogada pelo ralo. Universidades são polos de pesquisa primordialmente, responsáveis por formar profissionais que irão desenvolver novas tecnologias, composições químicas para resultar em novos medicamentos, além de outros estudos.
A importância destes docentes também é essencial para que o governo também possa descobrir talentos e gerar mais desenvolvimento científico no Brasil. Necessitamos de mentes pensantes e que produzam conhecimento, mas, para isso, é preciso lhes dar todo o suporte.
É uma vergonha saber que mestres e doutores não ganhem o equivalente a todo o esforço que tiveram para alcançar os seus postos. Até porque não são só eles os perdedores, mas todos nós. Professores e médicos deveriam estar entre as profissões mais valorizadas do País e, em consequência disto, eles teriam de ocupar instituições de ensino e hospitais com os equipamentos mais modernos no auxílio da melhor produtividade.
Infelizmente esta ainda não é uma realidade brasileira, mas poderá ser. Basta que nós também participemos das reivindicações, nos informando e adotando uma postura crítica sobre os fatos. Assim saberemos nos posicionar no sentido de ajudar ou de esclarecer outras pessoas interessadas na questão.
Ficar alheio a muitos momentos importantes é um mal do brasileiro. Essa alienação não traz resultados práticos, pois só afasta as pessoas dos fatos, e ainda faz da população simples massa de manobra. Isso é muito ruim.
É como se vivêssemos um conto de fadas e nada pudesse nos incomodar. No entanto, a coisa não é bem assim. Professores em greve por baixos salários também pode ser traduzido por profissionais com má qualidade de vida e sem poder oferecer o melhor a seus alunos em termos de ensinamentos.
O mesmo acontece com os federais responsáveis por nossas estradas, aeroportos, passaportes, portos e agências reguladoras, ligadas ao estoque de remédios e insumos farmacêuticos, por exemplo. A paralisação deles também pode deixar nossas divisas desprotegidas, favorecendo o tráfico de drogas e de armas, sem contar os contrabandistas, entre outros.
A presidenta precisa negociar e rápido, pois a cada dia que passa o Brasil se torna um alvo fácil para bandidos e tem o seu próprio desenvolvimento prejudicado. Não podemos nos esquivar de nossos problemas. Por isso, Dilma deve agir com segurança e respeito. Caso contrário, a população continuará a sofrer as consequências.
Vejam o caso de São Paulo, que teve o direcionamento de seu sistema de controle do viário comprometido pela greve dos agentes de trânsito, conhecidos como ‘marronzinhos’. Dizem as más línguas que sem eles a cidade fica melhor, mas imaginem todos os semáforos com defeito, por exemplo, seria um inferno ao quadrado. Por aí vemos que existem profissões consideradas essenciais, subordinadas à Prefeitura, ao Estado ou ao governo federal. Todas elas necessitam de um olhar atento dos governantes, já que a corda sempre arrebenta do lado mais fraco, ou seja, o nosso.