Faltando apenas 46 dias para a Copa do Mundo, muitas pessoas ainda continuam na esperança de ter os seus imóveis alugados durante esse período. O problema é que os preços absurdamente elevados estão assustando os turistas e fazendo com que muitos apartamentos continuem encalhados.
R$ 50 MIL
A média das diárias fica entre 3 e 5 mil reais, ou quem preferir alugar pelo período de um mês, terá que desembolsar cerca de R$ 50 mil. A representante de vendas, Luciana Dias, recebeu uma proposta do exterior, mas ainda está em fase de negociação. A princípio ela cobra R$ 5 mil a diária, mas diz que se a pessoa preferir, ela pode fechar um pacote. Já o gerente Robson da Costa, que mora a 1 km do estádio, cobra um valor um pouco mais baixo pela diária no apartamento, que durante o Mundial custará R$ 3 mil. “Esse preço com relação a outros que eu tenho visto, não é nem alto” compara Robson.
VAI SOBRAR
Reis Ferreira da Silva, dono de uma das imobiliárias mais antigas de Itaquera, até o momento não consegui alugar nenhum imóvel para a temporada de jogos e acredita que a tendência é sobrar imóveis, pois há mais oferta do que procura. Além disso, segundo Reis, o viável seria cobrar entre R$ 1.500 e R$ 2.000 a diária de um imóvel de até 80 metros quadrados, por exemplo. “Se o povo de Itaquera continuar nessa especulação desenfreada, o que vai acontecer? A procura vai demandar para outros bairros, vai para a Penha, vai para a Vila Matilde, vai para o Tatuapé. Onde se encontra imóveis tão bons quanto para a locação” conclui o empresário.
RUIM PARA OS HOTÉIS
A 50 dias da Copa do Mundo, a cidade-sede do jogo de abertura da competição corre o risco de uma subutilização de seu potencial hoteleiro, o que representaria prejuízo para o setor durante o evento. De acordo com dados do FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil), que reúne 71% de todos os quartos de hotéis operados por empresas de rede (como Accor, Meliã, Othon etc.), apenas 24% destas unidades foram vendidas na capital paulista. O número contrasta, por exemplo, com os 87% de ocupação no Rio de Janeiro.

Em uma escala menos crítica, cidades tipicamente turísticas como Salvador e Curitiba também sofrem com baixas taxas de ocupação, com 57% e 44% respectivamente, durante os dias de jogos. “A gente entendeu (com o levantamento) que o que faz com que as pessoas fiquem numa cidade é primeiro a atratividade dos jogos associado à atratividade da cidade e o acesso facilitado àquela cidade”, explicou a diretora executiva do FOHB, Flávia Matos.
Diante dessa situação, o Fórum teme sofrer com prejuízos em plena Copa do Mundo em locais que não conseguiram ter jogos tão populares como as quartas de finais ou que não são tão atraentes para o turista estrangeiro como o Rio de Janeiro.