POR CAROLINE BORGES
Planejamento e organização sempre orientaram as ações de Juliana Paiva ao iniciar um trabalho. A atriz, porém, viu essas questões ganharem novas formas ao integrar o elenco de “Família é Tudo”, atual novela das sete. Na pele da injustiçada Electra, Juliana teve pouco tempo entre as preparações e o início das gravações. Com isso, sem poder mergulhar previamente na personagem, ela está desbravando a jovem Electra a cada dia em que entra nos estúdios. “Ainda estou encontrando a Electra ao longo das cenas. Porque na vida, muitas vezes a gente não pensa muito antes de viver as situações. A gente é pega de surpresa diversas vezes. E eu acho que eu estou me permitindo ser levada mesmo pela Electra”, afirma.
Filha do terceiro casamento de Pedro, papel de Paulo Tiefenthaler, Electra perdeu a mãe muito cedo e foi criada como filha pela quinta esposa do pai, Nanda, de Ana Carbatti. Era alegre e extrovertida até sofrer um grande revés: foi acusada de tentar matar seu namorado, Luca, vivido por Jayme Matarazzo. Fora da cadeia, quer recomeçar a vida e, acima de tudo, provar que foi vítima de uma injustiça. “Ela fica presa por cinco anos por algo que não fez. Ela pulsa por justiça, pelo resgate de uma vida e pelo amor da vida dela que foi arrancado. Mas há pontos solares em meio a tanta sombra. É uma personagem que pega pelo coração a indústria da justiça porque poderia acontecer com qualquer um. Imagine se fosse com você”, questiona.
P – Em “Família é Tudo”, você reedita uma parceria com o autor Daniel Ortiz e o diretor Fred Mayrink. Como tem sido esse reencontro com a equipe?
R – Nós fizemos uma novela muito linda juntos. A personagem de “Salve-se Quem Puder” veio num momento muito importante da minha vida, em que eu também estava passando por uma espécie de furacão emocional, com a passagem do meu pai. E a personagem viveu no furacão físico e com suas questões emocionais. Luna me motivou muito artística e pessoalmente, então eu tenho um carinho afetivo muito grande pelo Daniel e Fred. É um projeto fácil de se jogar.
P – Por quê?
R – Eu acho que é uma parceria de sucesso mesmo, que funciona muito. O texto do Daniel é super bem dirigido pelo Fred, que gosta de dirigir atores, e o Daniel também tem uma mente criativa absurda. É, também, preocupado em, através de entretenimento, levantar temas muito relevantes, fazer as pessoas refletirem a respeito, levar boas mensagens. Estou muito feliz, muito animada com esse reencontro e retorno às novelas estando cercada de ótimos profissionais e queridos amigos.
P – A trama da Electra envolve muitos mistérios. De que forma você enxerga o enredo da personagem?
R – Electra é uma personagem muito forte, vítima de uma emboscada, que colocou tudo o que ela conhecia em xeque. Ela está em busca de justiça, de retomada de um tempo perdido, do que foi tirado dela. Está em busca de resgatar sua família, seu amor. Mas apesar do que aconteceu, não se vitimiza. Ela tem força suficiente para lutar contra tudo e todos e dar a volta por cima e também vai em busca da união para essa família desagregada. Para mim todos os irmãos querem esse reencontro verdadeiro, mas aí a gente tem toda a trajetória da novela para ver como isso vai se dar. A história da Electra exige muito de mim.
P – De que forma?
R – É uma personagem muito densa dramaturgicamente, algo emocionalmente bem diferente do que eu já fiz. Tem muita cena de desespero de um passado que o público não vai conhecer 100%. Exige muito de mim. Estou explorando uma vertente dramática nova na tevê. Tinha transitado por esse drama, mas ainda não tinha me aprofundado tanto na televisão. É bem diferente de tudo que eu vinha experimentando.
P – Todos esses mistérios da personagem podem enveredar para uma vilania mais à frente?
R – Acho que o dilema dela é sobre justiça e vingança. Imagina ficar cinco anos presa injustamente? Tem muita revolta, né? A vida de todo mundo andou e ela precisa correr atrás de retomar a vida. Muitas decepções. Claro que você pode se perder nessa luta por justiça e se transformar em vingança. A Electra, por enquanto, não é vilã. Mas é novela, né? Tudo pode acontecer. Mas não vejo a Electra como vilã até então.
P – Como foi a preparação para construção da personagem?
R – Muita leitura de texto com o Fred Mayrink, nosso diretor artístico, e um pouco de entrosamento e preparação corporal com o Marcelo Aquino. Como os filhos têm nomes exóticos, que homenageiam planetas e estrelas, a gente teve também uma dinâmica de astronomia, integrada com astrologia e mitologia para entendermos o que está por trás dessas histórias e têm a ver com a carga que esses nomes receberam, perceber as conexões. Mas fui em busca de um trabalho mais individual também.
P – Como assim?
R – Individualmente, eu estou me permitindo ser guiada pelo texto do Daniel, entendendo a importância de cada relação para nutrir essa personagem que é cheia de camadas, cheia de complexidades e que em uma mesma cena, se fragiliza e se fortifica por ela mesma. Estou adorando desbravar esse solo junto com ela e outra coisa que é legal pontuar é o contraste dessa família. Cada irmão é como se fosse uma tinta diferente e eles precisam de todas as cores ali para se completarem. É como se cada um fosse mais guiado por um tipo de emoção. E quando se juntam, aí sim, estão completos.
P – A trama de ‘Família é Tudo’ aborda as relações familiares, o afeto. Como é a relação com sua família?
R – Família, para mim, é tudo mesmo, é a nossa base, o nosso porto seguro, a nossa raiz, o nosso legado, os nossos valores. Graças a Deus, eu tive a sorte de ter pais muito parceiros, presentes e na minha casa nunca teve tabu para absolutamente nada. Eles sempre respeitaram também a minha individualidade. Eu, sendo ser humano, independentemente de uma criação, mas, ao mesmo tempo, me passando todos os valores necessários para que eu pudesse ser uma pessoa do bem e conviver com os tipos mais diversos de pessoas e situações que eu viria a encontrar na minha vida.
“Família é Tudo” – Globo – Segunda a sábado, às 19h30.
Escrito nas estrelas
Juliana Paiva ficou animada ao se deparar com a astrologia como uma das temáticas de “Família é Tudo”. A atriz, que é do signo de Áries, busca algumas respostas da vida nos astros. “Acho um estudo fantástico que está a serviço do nosso autoconhecimento”, explica.
Ela, inclusive, é afilhada de Fernanda Santa Rosa, uma astróloga renomada. A atriz conversou bastante com sua madrinha sobre o assunto da novela das sete. “Sempre troquei muita figurinha com ela. Gosto de visitar meu mapa astral. Não fico refém, porque entendo que o tempo todo pode se modificar através de decisões, escolhas que a gente faz. Mas, como estudo, como guia, como autoconhecimento, eu acho incrível”, aponta.
Pontos de encaixe
Em “Família é Tudo”, Electra encara uma verdadeira vida de novela, com diversas surpresas e reviravoltas. Apesar de todos os altos e baixos dramatúrgicos e ficcionais, Juliana encontrou alguns pontos de encontro com a personagem. “Vejo muito em mim essa luta por justiça. Sempre fui muito incomodada, muito tocada por qualquer ponto de injustiça e preconceito. Eu sempre fui muito questionadora e aprendi, com os meus pais, que com educação a gente pode falar tudo. Especialmente num caráter de coisas boas, ou seja, para que a partir daquilo acontecesse uma transmutação de coisas positivas. Então nisso, tenho muito em comum com Electra. No ponto de empatia me aproximo bastante da personagem”, defende.