Desde as gravações até o lançamento, Marina Ruy Barbosa sempre teve na cabeça o trabalho em “Rio Connection”, série original Globoplay. Coprodução da Globo com a Sony Pictures Television e Floresta, a produção foi realizada há mais de dois anos. Porém, apenas entrou no catálogo do serviço de streaming no final do ano passado. O projeto, que foi gravado totalmente em língua inglesa, representou uma série de desafios para Marina diante das câmeras. “A gente gravou com a pandemia rolando. Então, tínhamos todos os protocolos valendo, é um projeto em outro idioma, o elenco era brasileiro e estrangeiro… Toda essa mistura foi um desafio e tanto. Estava com frio na barriga para ver o resultado disso tudo”, afirma a atriz, que também está no ar como a vilã Preciosa de “Fuzuê”, atual novela das sete. “A Preciosa simboliza um novo momento para mim. Estou me divertindo fazendo essa antagonista cômica e fora do tom”, completa.
Entre os atores brasileiros e estrangeiros, Marina vive seu primeiro trabalho internacional na pele de Ana Alves. A personagem é uma mulher sensual e espirituosa que trabalha como garçonete da noite carioca, mas sonha em ser cantora, e vive um relacionamento turbulento com um dos integrantes de uma máfia de tráfico de heroína que se estabelece na cidade. “Desde o primeiro momento, quando surgiu a oportunidade de interpretar a Ana, fiquei muito entusiasmada. Foi bom mergulhar em todo o contexto da década de 1970”, aponta.
P – “Rio Connection” é uma coprodução internacional da Globoplay. Como seu nome chegou ao projeto?
R – Eu fiquei bem ansiosa desde que o Mauro Lima (criador e diretor) me contou do projeto. Porém, eu precisei fazer um teste para integrar o elenco da série. Era um teste para a Sony aprovar meu nome. Foi bem diferente porque voltei a ter aquela expectativa de não saber se iria passar no teste. Não via a hora de gravar porque sabia que seria um trabalho muito novo para mim.
P – De que forma?
R – Essa série me testou em vários aspectos. Primeiramente a gente gravou ainda na pandemia. Então, enfrentamos todos os protocolos de distanciamento e testagem. A gravação foi bem mais espaçada e demorada por conta da Covid. A preparação, por exemplo, começou online. Tudo isso já tornava o projeto desafiador. Foi meu primeiro trabalho grande em inglês. Por mais que eu seja atriz desde os meus nove anos, muda tudo quando você vai atuar em inglês. E a personagem ainda era uma cantora. Ou seja, precisei soltar a voz.
P – Você passou por alguma preparação especial para encarnar esse lado cantora da personagem?
R – Sim, como a Ana é uma cantora, fiz um processo intenso de preparação, com aulas de canto e violão. Entrar nesse universo da década de 1970 também exigiu bastante da nossa preparação. Por isso, valorizo muito o figurino e a caracterização. Ajudou muito a entrar no clima da série.
P – Coproduções internacionais estão cada vez mais frequentes em streaming. Essa experiência em “Rio Connection” despertou algum interesse em uma carreira fora do Brasil?
R – Não vejo isso de uma forma separada. Amo atuar e amo bons personagens. Não me importa o formato ou a língua. Quero seguir exercendo o meu ofício. Além disso, muitos dos produtos que fiz na Globo são comercializados lá fora. Nas redes sociais, a gente consegue ver isso mais de perto, mas recebo mensagens de vários lugares do mundo. Ano passado, eu fui pra Índia e tinha gente que me reconhecia por determinada novela. A gente não tem noção de quanta gente assiste ao nosso trabalho. Minha busca sempre vai ser por bons trabalhos e estar feliz fazendo o que amo. Sinto que “Rio Connection”, por exemplo, foi o início de um novo momento diante do vídeo.
P – Por quê?
R – Eu tinha vindo de um trabalho complexo por si só de uma outra novela. Então, voltar aos estúdios em “Rio Connection” foi como um sopro de alívio na vontade de fazer algo diferente. Voltei a sentir aquela expectativa do início da carreira, mas de uma forma mais madura e desafiadora. Foi o momento das pessoas me enxergarem e verem o amor que tenho pela minha profissão.
P – Atualmente no ar “Fuzuê”, você vive a vilã Preciosa. Essa personagem também entra em uma busca por novos papéis na tevê?
R – Sim, logo após “Rio Connection”, já veio a Preciosa. “Fuzuê” é outro registro completamente diferente. Uma vilã meio cômica e fora do tom. É isso que a gente vai buscando. Não quero ser colocada em uma caixa. Quero mostrar lados diferentes para seguir fazendo o que gosto.
P – A trama de “Fuzuê” já está entrando em sua reta final. Como tem sido participar da atual novela das sete?
R – Está sendo um trabalho bem feliz. Fazendo a Preciosa, eu pude perceber o quanto sou apaixonada pelo gênero novela. É uma personagem que me dá orgulho e me diverte. Novela exige bastante da gente, dá um cansaço enorme. Mas é aquele cansaço gostoso. Ao mesmo tempo que gravava a novela, também me envolvi com a divulgação de “Rio Connection”. Quero apenas aproveitar esses momentos e sem qualquer afobação para o futuro. Tento não fica vivendo um looping de cobranças. Já sou ansiosa por conta própria, né? Uma coisa de cada vez que tudo dá certo. É algo que venho tentando me adaptar ao longo dos anos.
P – Como assim?
R – Acho que estou em constante evolução. Sei que não sou a mesma Marina que começou a atuar com nove anos. Mas também não sou a mesma Marina que interpretou a Ana há dois anos. Estou em constante mudança e aprendizado. A Ana foi uma personagem ótima para superar desafios e crescer.
“Fuzuê” – Globo – De segunda a sábado, às 19h30.
“Rio Connection” – Episódios disponíveis no Globoplay.
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A experiência diante das câmeras não foi apenas dramatúrgica para Marina Ruy Barbosa ao longo dos anos. A atriz de 28 anos também precisou aprender a lidar com a imprensa e, mais recentemente, com as toxinas das redes sociais. “Sempre tentei ser a mais simpática e acessível possível. Achava que tinha de falar sobre todos os assuntos. Mas, aos poucos, fui compreendendo que não é bem assim. Tem de saber enxergar os limites e as necessidades”, aponta.
Nos últimos anos, Marina tem, inclusive, reduzido sua participação nas redes sociais. A atriz reúne mais de 42 milhões de seguidores no Instagram. “Eu gravava muito o meu dia a dia nas redes. Era bem natural. Até os bastidores das novelas. Hoje em dia não sinto essa necessidade. Às vezes, até penso em gravar, mas sinto que não é algo orgânico”, aponta.
Horário das sete
Se a trama de “Rio Connection” carrega o pesado cenário do tráfico internacional de drogas, o enredo de “Fuzuê” é um alívio cômico para Marina. A trama marca o retorno da atriz ao horário das sete. “É, sem dúvidas, um horário que fui muito feliz. É um horário que permite a gente viajar na comicidade e ter uma certa leveza. O texto do Gustavo Reiz, por exemplo, tem essa pegada do exagero que é muito divertida de trabalhar”, valoriza.
Instantâneas
# Em “Rio Connection”, Marina se dublou sua personagem para a versão em português.
# Recentemente, a atriz também esteve no ar na reprise de “Escrito nas Estrelas”, que foi exibida no Viva.
# Há pouco mais de três anos, Marina lançou a marca de moda Shop Ginger.
# Marina é tetraneta do jurista, diplomata e político Ruy Barbosa.

