Nossa pobreza cultural se mostra cada vez mais presente, ainda mais agora com a violência gerada por esse movimento em prol de um transporte mais justo. Isto porque provamos que ainda não somos organizados o bastante para liderarmos algo grande. Esta ação que vemos agora, com tristeza por todos os feridos e ofendidos, demonstra que ainda estamos presos a um tempo obscuro ao qual o Brasil ficou preso.
Infelizmente, a nossa dificuldade em se fortalecer culturalmente, tanto de forma acadêmica, como no conhecimento de maneira geral, fica ainda mais evidente quando buscamos prédios públicos que deveriam nos dar esse suporte, como bibliotecas, casas de cultura, fábricas de cultura, pontos de leitura, entre outros lugares.
Basta notar a apresentação desses locais, fechados por grades, observados 24 horas por câmeras e mantidos sob vigilância de empresas particulares. É assim que se representa a popularização da cultura e do conhecimento? Acredito que tanto nossos prefeitos como governadores vêm pecando na maneira como deveriam aproximar as pessoas desses pólos de construção do saber, se é que existe esse interesse.
Há um esforço ainda muito pequeno em se querer abrir as portas do conhecimento para a população. A divulgação da existência de lugares que poderiam proporcionar a abertura do pensamento de crianças, jovens e adultos para o resto do mundo é restrita. Vemos pequenos grupos ocupando espaços culturais e, mesmo assim, às vezes, só estão lá por obrigação, para uma pesquisa escolar ou porque o período de provas está se aproximando. Mas e o restante das pessoas, onde está?
Creio que intimidados pela aura elitizada que os governos teimam em manter nesses lugares. São prédios sem cor e protegidos a sete chaves. Quem gostaria de entrar não o faz por medo. Tanto é que muitas pessoas entram em bibliotecas e perguntam se podem pegar nos livros, revistas ou jornais. Têm receio de usar mesas, cadeiras e os computadores oferecidos para o público. Precisamos crescer muito ainda. Infelizmente,
é uma vergonha para todos os responsáveis em manter o povo cada vez mais longe dos livros, da arte e de tudo o que represente o alimento da mente e da alma.