Sem dúvida a morte de Hugo Chávez, até então presidente da Venezuela, entristeceu a todos que demonstravam apreço pelo homem que se esforçou até os últimos dias de sua vida para combater o câncer. Ao mesmo tempo, outras expectativas foram criadas com relação ao infausto, principalmente políticas. Isso fez diversos presidentes de outros países marcarem presença no velório de Chávez e, durante a visita, também analisarem os próximos passos da Venezuela.
Isso porque, além da tristeza, existem muitos acordos comerciais entre países como Estados Unidos, Cuba, Irã, Brasil, entre outros. No nosso caso, há muitas empresas atreladas a uma recuperação imediata da Venezuela e, por isso, a grande preocupação com as próximas eleições daquele país.
Entre as principais indústrias da Venezuela estão as de petróleo, materiais de construção, processamento de alimentos, têxtil, mineração de ferro, produção de aço e alumínio, entre outras. Dentre essas áreas de produção, o Brasil tem se interessado pelas refinarias e pelo trabalho desenvolvido na construção civil.
Tanto é que a Odebrecht, por exemplo, tem mais de oito mil operários na Venezuela. Além dessa empresa, outras como Queiroz Galvão, OAS e Camargo Corrêa atuam no país. Quando o assunto está relacionado a aviação, a Embraer pretende fornecer seis aeronaves para uma companhia venezuelana.
Até o BNDES está no meio, financiando a construção de uma hidrelétrica e uma siderúrgica. Então, divulgar a demonstração de tristeza de nossos políticos pela morte de um presidente amigo é louvável. Contudo, não podemos esquecer que existe um grande jogo de interesses por trás de tudo isso.
Inclusive a direção dessas negociações, a depender de quem irá vencer as eleições, poderão tomar um rumo diferente, caso o novo presidente não goste dos termos em que elas foram definidas. E este é um risco que o Brasil corre, apesar de nossa presidente Dilma Rousseff parecer ter convicção de que tudo continuará como antes.
Todos sabemos que, apesar de Chávez endemonizar os Estados Unidos, trata-se de seu maior parceiro comercial. E todo o teatro produzido pelo ex-presidente venezuelano tinha como objetivo perpetuar o popularismo.
Diante disso, pode ser que a Venezuela vire a página de sua história, ou não. Devemos estar atentos ao fato de que há muitos investimentos do Brasil lá e procurar investigar se realmente valem a pena.
Infelizmente, entregamos mais do que recebemos, frente às necessidades extremas daquele país. Mais de 35% da população vive abaixo da linha da pobreza e o período de ditadura imposto por Cháves fez o resto do mundo ficar ainda mais descrente do potencial venezuelano.
Será que o Brasil deve se postar como a tábua de salvação para os problemas da Venezuela ou nem somos tão fortes assim para pensar dessa maneira? Depende do que estiver sendo pesado na balança comercial responsável pelo quanto o Brasil faz por eles e pelo quanto recebe em troca. Independente da morte de Chávez, os países seguem a diante buscando se tornar mais fortes. Resta saber se nós estamos nos valorizando nessas transações ou se, mais uma vez, voltamos a ser explorados, para dar aval a um governo ditatorial.
É bom não esquecermos do que ocorreu na Bolívia com relação à Petrobrás. Ao estatizar as refinarias brasileiras, ficamos cerca de quatro anos dependentes da importação de gás. Atualmente, existe a possibilidade do mercado de gás brasileiro crescer cerca de 10% ao ano até 2020. Mas para alcançar essa meta, serão necessários muitos avanços nas discussões multilaterais com outros países.