O ex-presidente Lula já pode ser considerado um latifundiário da política, mesmo sem estar exercendo um cargo público. Seus palpites, que direcionaram a atual presidente Dilma Rousseff ao cargo e ainda influenciam ministros e senadores, agora chegaram a São Paulo, apesar de não sabermos que efeito eles trarão.
Depois de apresentar seu plano de governo, secretários, subprefeitos e outros profissionais para postos importantes, Haddad convocou uma reunião para apresentar algumas diretrizes aos seus subordinados. Mas antes da solenidade começar, quem estava sentado à mesa? Ele mesmo, como se sua presença fosse normal naquele momento.
O interessante é que sobre os problemas relacionados a políticos do partido, o ex-presidente não fala. Ele deveria estar ao lado de seu companheiro Genuíno, por exemplo, para evitar a volta de um condenado pela Justiça ao Congresso. Se o parlamentar julgava-se inocente, que cumprisse sua pena e depois se candidatasse novamente. Caso fosse eleito, mesmo voltando sob críticas, seria do modo democrático.
A experiência que Lula conquistou como presidente é indiscutível. No entanto, do ponto de vista de quem cumpriu seu papel como mandatário do País, sua presença dentro da Prefeitura coloca a inteligência de Haddad em cheque. Não dá para administrar uma cidade como São Paulo de modo pleno com alguém “cornetando” cada decisão. É hora de cada um cuidar do que é seu e, caso algum dos representantes do PT necessite de ajuda, discretamente o ex-presidente cumpre o seu dever.
Sua vontade de controlar a tudo e a todos não impediu que a corrupção tomasse parte dos membros de seu partido. Também não os fez escapar do julgamento de seus erros. Querendo ou não, o governo de Lula ficou marcado pelo despreparo de alguns de seus pupilos e pela presença de pessoas interessadas em favorecimentos ilícitos. Tanto é que as investigações continuam e outras prováveis falcatruas estão sendo encontradas.
Agora, diante dessas e de outras situações vergonhosas, é louvável que Lula queira apontar caminhos de trabalho para o prefeito de São Paulo? Nesse instante, sua presença ajuda ou atrapalha Haddad? É possível que, no mínimo, o deixe numa imensa saia justa. A julgar pelo interesse do novo prefeito de tornar a cidade mais humana. Além disso, pela sua preocupação em não “lotear” politicamente as subprefeituras.
Caso Lula largue o osso, talvez deixe Haddad e Dilma respirar. Até porque não há como tomar decisões sob a sombra de alguém que insiste em dar pitacos. É preciso que o ex-presidente se afaste a ponto de esclarecer as acusações feitas sobre seu governo. Dessa forma, também estará protegendo seus aliados e a democracia brasileira. O poder a qualquer custo, inclusive, fez parte de um período do Brasil no qual o próprio Lula foi tratado como transgressor, quando defendia a liberdade de ideias e de opiniões.
Sendo assim, é melhor que o ex-presidente veja e reflita sobre o que ficou para trás, pois ainda existem muitas pessoas se beneficiando das “tetas” deixadas à mostra. São viagens, carros, mansões, entre outros itens, às custas de nosso dinheiro. Se continuamos sendo vítimas de quadrilhas que se beneficiam de algumas áreas do governo federal, tomara que Haddad não se deixe contaminar pela suposta “inocência” de fingir não enxergar os fatos.