Hoje em dia não é fácil o prefeito tentar esconder seus planos da população. Aliás, quanto menos transparente ele for, pior será. Tanto a imprensa, quanto as redes sociais, cobram explicações mais detalhadas sobre as ações da Prefeitura e sobre como ela irá beneficiar uma maior parcela da população.
O mesmo acontece com o governo do Estado, que também deve satisfações ao seu eleitorado. Afinal de contas, Haddad e Geraldo Alckmin formaram parcerias em diversas obras da cidade pensando em governar de maneira mais tranquila e eficaz.
Tudo vai depender da forma como os dois irão administrar suas promessas, realizações e ações, principalmente se elas surgirem dentro de uma situação de conflito. Para lembrar de casos mais recentes, o prefeito teve de tomar uma decisão imediata para estancar a tensão criada por uma decisão judicial na região do Iguatemi. Com o controle das partes envolvidas, no caso a PM e a população, Haddad pôde se voltar para as questões habitacionais.
No caso de Alckmin, dentre os seus maiores problemas estão as obras do Rodoanel, a construção de novas estações de Metrô, e as questões relacionadas à falta de segurança. Para dirimi-las, assim como o prefeito, o governador não pode mais titubear em nenhuma delas, até porque os movimentos populares tornam-se cada vez mais fortes e se organizam rapidamente. Neste sentido podemos recordar da mobilização pedindo para o Metrô funcionar 24 horas.
Alguns meses de campanha fizeram representantes de várias áreas do transporte se organizarem para responder ao público, bem como dois deputados estaduais resolveram propor uma audiência pública. Ou seja, a pressão popular tem efeito direto sobre quem deve ser atingido. Mais um motivo para os dois governantes do Estado e da cidade que servem de exemplo para o resto do País darem mais atenção ao povo.
O passado da alienação total ficou para trás. Agora, praticamente todo mundo tem pelo menos um celular com o qual dá para se comunicar, gravar imagens e voz, além de enviar textos. Então mesmo que o cidadão não conheça a política profundamente, ele sabe distinguir algo errado, até por intuição. A partir dessa realidade, não há mais como prometer algo sem que o anúncio de uma obra ou de um projeto de lei não seja logo compartilhado com grande parte das pessoas. Estamos literalmente globalizados.
Haddad e Alckmin devem se lembrar que, como políticos, estarão sempre buscando o fortalecimento para as próximas eleições. Para o governador, inclusive, a campanha já começou e terá um investimento de mais de R$ 260 milhões. Já o prefeito, terá mais tempo, porém seus atos diários darão o tom de seu governo e construirão sua imagem futura.
A todo o instante, nas ruas, vemos câmeras nos vigiarem e nos cercarem. Como nos habituamos a esta sensação de falta de privacidade, porque nossos governantes não podem se acostumar à cobrança constante da população? Terá de ser natural para os dois nos respeitar, nos dar respostas sobre o que pretendem e cumprir suas promessas. A situação para ambos não está nada fácil. No caso de Alckmin, a Segurança Pública está em cheque quase que de forma permanente. Enquanto isso, Haddad se vê refém das chuvas, do trânsito e da falta de infraestrutura em algumas áreas, citando alguns itens.