O estúpido caso ocorrido na boate Kiss, na cidade de Santa Maria, alertou a população com relação à falta de segurança nas ocorrências de incêndio em ambientes fechados. O fato mobilizou prefeitos e governadores das maiores cidades do País e todos começaram a cobrar responsabilidades de seus comandados. Fiscais, engenheiros, arquitetos e bombeiros, todos estão sob suspeita, apesar de não podermos generalizar e colocar no mesmo balaio tanto os bons quanto os maus profissionais.
Isso porque a sucessão de erros ocorrida no Sul do País nos leva a refletir não só sobre as boates, casas de shows, igrejas, entre outras casas, mas também sobre a maneira como outros estabelecimentos cuidam da segurança de clientes. Um ouvinte, durante um programa de rádio, na semana passada, falou sobre os buffets e seus shows pirotécnicos. Com certeza ele não quis ser alarmista ao citar essas casas, mas mostrar a existência de outras situações de risco.
Um especialista em condomínios descreveu os prédios como verdadeiros barris de pólvora. Nesses locais, a existência de diversos extintores de incêndio é obrigatória, porém nem sempre é o que vemos. Outro problema levantado por ele, e que é real, está relacionado ao ínfimo número de pessoas capazes de manipular os equipamentos em caso de emergência. Além disso, também faltam moradores habilitados a orientar em situações de pânico.
Por aí vemos que as coisas não são tão simples quanto parecem, principalmente quando falamos em proteger vidas. A fiscalização oferecida pela Prefeitura, por exemplo, às vezes é colocada em dúvida, pois muitos funcionários acabam se envolvendo em episódios de corrupção. Isso faz com que a indústria da propina sobreviva, os donos dos estabelecimentos economizem míseros reais e nós, como consumidores e clientes, fiquemos à deriva.
Por isso, quando o amigo lembrou dos buffets ele demonstrou sua preocupação com as famílias que assinam seus contratos de festa, às vezes com meses de antecedência, mas não conhecem ou esquecem da existência de normas de segurança. Elas são importantes, inclusive, para que os consumidores possam selecionar melhor os locais contratados e, por consequência, os profissionais envolvidos nos serviços.
Criando uma co-relação, a mesma coisa acontece com as brigadas de incêndio dos prédios. Quem participa dessas reuniões? Alguém observa se os extintores estão vencidos ou se as luzes de emergência das escadas estão funcionando bem?
Posso estar errado, mas acredito que pouquíssimas pessoas fazem isso. E se vier a ocorrer um incêndio? Quem terá a frieza e a habilidade necessárias para lidar com a situação? Já que estamos num momento de reflexão, após tantas mortes, vamos aproveitar para pensar nas situações do nosso dia a dia também.
Não é preciso ser paranóico, no entanto, é inadmissível que deixemos a responsabilidade só para o outro. Até porque um terceiro vai decidir por nós o que devemos ou não fazer. É necessário ficarmos atentos ao que nos cerca para não sermos manobrados como gado.
Em São Paulo, por exemplo, tanto no Estado quanto na capital, o prefeito Fernando Haddad e o governador Alckmin decidiram correr atrás do prejuízo para não pecarem pelo descaso. Criaram diversas regras e envolveram bombeiros, engenheiros e fiscais. Agora, todo mundo vai querer aparecer lacrando comércios, boates e outros estabelecimentos. Contudo, vamos cobrar para que, daqui um ano, as fiscalizações continuem como agora e não sejam simplesmente midiáticas.