Em época de campanha presidencial, o PT, em debates, tentava destruir o PSDB, com a alegação de que Fernando Henrique havia vendido o patrimônio da nação, privatizando várias atividades e que isso, para eles, era “pecado capital”. Basearam todas suas críticas nisso, e, ainda bem nos lembramos que o Alckmin se escondia dessas questões, não sabendo como defender-se.
Dizem que nada melhor do que o tempo. É verdade. O tempo passa, as pessoas pensam que o povo esquece e, agora, surge a presidente Dilma com a grande ideia. Uma vez que o PAC não decolou, uma vez que a economia está paralisada, que a economia está cambaleante, que o desemprego ameaça voltar, que o PIB será muito inferior ao previsto, que o caos se avizinha, inclusive com a inflação batendo à porta, o negócio é privatizar.
A presidente teve a ideia brilhante de mexer na economia e abriu a temporada das “privatizações”. Apenas desculpa-se, meio sem graça, que o seu plano não é para pagar dividas, diminuir o endividamento, mas para alavancar a economia, fazer voltar a economia girar, criar empregos e atender às urgentes obras, especialmente as que digam respeito à Copa de 2014 e que, ainda, sequer saíram do papel, ou mesmo que nem projetos têm, especialmente depois de ter ido a Londres, onde pôde constatar o que é uma organização, o que é um trabalho verdadeiramente profissional.
Agora a “privatização” não é mais “pecado mortal”. É uma necessidade! O que se deveria reconhecer é que o governo, como outrora, agora e sempre, não tem competência para gerir tudo e fazer tudo. Com o alto índice de corrupção, especialmente após o “affair Delta-Cachoeira”, ela pôde verificar que, infelizmente, o governo não é suficientemente capaz para fazer as obras que demandam o País.
Estradas, aeroportos, portos, ferrovias, isso tudo demanda um trabalho realmente profissional e com gente honesta devidamente preparada, voltada para o interesse público e não privado, onde o trabalho deve visar o lucro; o investimento deve ser feito para ser rentável, as coisas devem ser feitas para ficar não só para a Copa, mas para o futuro do País.
Foi fácil criticar e ganhar a eleição, como já se dizia, sobre uma mentira, sobre uma farsa, onde o PT queria demonstrar a incapacidade do PSDB de ter privatizado serviços de comunicação, várias estradas, pontes, usinas, mas, hoje, deveria ter a humildade de dizer: eles estavam certos e nós faremos a mesma coisa, porque realmente não seremos capazes, como governo, de atender a toda esta demanda.
Um país gigante como o nosso sofre por sua grandeza, por ter realidades diferentes de um extremo ao outro, e por ser governo de uma única forma, por um só governo, sem atender a todas as necessidades.
As privatizações feitas no passado estão vencendo, agora em 2015, e o governo promete não renová-las, sem antes revê-las. É uma medida correta, se considerarmos que foram feitas em uma outra realidade e precisam adaptar-se à realidade de hoje. Há algumas com excesso de taxa de retorno sobre o capital; já recuperaram o que investiram; só se espera que os contratos sejam respeitados, até para que se preserve a segurança jurídica do ato jurídico perfeito e acabado, o contrato, coisa que o PT não está bem afeito, não gosta muito, mas que é necessário se esperamos investimentos de fora para estes novos projetos.
De toda forma, a iniciativa, embora que tardia, da presidente de voltar com as privatizações é elogiável e necessária. Tardia porque restam só dois anos para a Copa e o ideal seria que a este momento já estivéssemos com as obras pelo menos pela metade, e ainda sequer estão projetadas.
Vamos ver agora, na campanha que se avizinha, qual será o mote, no que se pegará o PT. Com certeza não será nas privatizações, pois, para elas, eles já perdoaram o “pecado capital”.