Os índices de violência em São Paulo voltaram a ter níveis alarmantes. Apesar dos números, com os quais o governador Geraldo Alckmin gosta de basear suas declarações, existem pessoas morrendo todos os dias na cidade. Reagindo ou não a um assalto, dentro de casa, no comércio, na loja ou na rua, todos nós continuamos sendo vítimas de uma postura de quem não se indigna, não se revolta ou como se diz popularmente: tem sangue de barata.
Há poucos dias, vimos a chocante entrevista de Valdir Deppman, pai de Victor Hugo Deppman, de 19 anos, morto durante um assalto, no bairro do Belém, em 9 de abril. O seu clamor, pelo fim da violência, representa a vontade da totalidade dos pais que vêem seus filhos saírem para estudar ou trabalhar e depois ficam angustiados ao não terem a máxima certeza de que irão voltar.
Da mesma maneira, os pais não sabem dizer como homens podem ter tido a frieza de queimar, viva, a filha deles, dentista. E como é difícil traduzir em palavras o sentimento de pais que recebem a notícia de que a própria filha foi estuprada, junto a uma grande avenida da cidade, enquanto esperava socorro para o carro quebrado.
São fatos vividos por nós, infelizmente com mais frequência, que apontam para uma situação de caos. No entanto, para o governador, é importante dizer quanto o número de homicídios caiu, além de divulgar a abertura de um concurso para policiais militares que só começarão a atuar no final de 2014. Diante desta ação do Estado, a população parece estar enxergando uma realidade inexistente. Afinal, se precisamos de mais segurança hoje, como iremos esperar um ano mais?
Como já dissemos em outra oportunidade, em parceria com o governo federal, Alckmin poderia contar com a presença do exército em pontos de venda de drogas, por exemplo. Soldados das forças armadas poderiam atuar dentro dos presídios, para conter a corrupção e impedir a comunicação de bandidos presos com os de fora. Com certeza estes mesmos servidores estariam dispostos a acelerar processos de busca e apreensão, muitas vezes emperrados pela falta de viaturas, de funcionários e até de tecnologia.
Mesmo assim, o que vemos é um governo com baixa-estima, criticado e aparentemente sem forças. Pelo menos é o que grande parte da população fala nas ruas, de falta de pulso e de desesperança com relação à melhora de nossa segurança.
Neste momento, aliás, já deveria ter agido há muito tempo, a presidente Dilma Rousseff poderia mostrar a que veio. Seu ministro da Justiça, Eduardo Martins Cardoso, insinuou um apoio há alguns meses, mas depois recuou. Depois disso, o governador trocou o secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, tentando argumentar que ele estaria com a imagem desgastada.
O tempo passou e estamos à deriva novamente. São Paulo recebe milhares de turistas todos os anos e, em 2014, terá muitos mais. Porém, nossa imagem lá fora é de uma cidade fora do controle e em guerra contra um inimigo que não se vê nas ruas, mas é presente. Com isso, o medo se instaura e se espalha, minando nossa crença. Dilma não pode ficar de braços cruzados, deve apresentar propostas e investir no que é possível. Ser oposição para esperar o circo pegar fogo não é mostrar inteligência. Assim, só se está dando munição para o bandido ficar mais forte. Nessa hora, não importa partido, nem a política, mas o bem-estar do cidadão.