Bastante interessante essa expressão: se existe “gente graúda”, é porque existe “gente miúda”. O curioso é que o “graúdo” e o “miúdo”, ambos, estão bem implicados; um porque manda fazer, é o “graúdo”, e outro é o que faz, é o “miúdo”.
O tal do Paulo Vieira, que é apontado como chefe da máfia dos pareceres, na chamada operação Porto Seguro, disse que não vai sozinho para a “masmorra”. Ele diz que vai apontar gente “graúda”. Aí fica a grande dúvida: quem será essa gente tão “graúda” assim? Como se sabe, o grupo que atuava nos bastidores do poder tinha a benção da ex-chefe do gabinete da presidência e da atual presidente, a sra. Rosemary Noronha, intimamente ligada ao presidente Lula.
O Paulo quer agora aquilo que no Direito Penal chama-se “delação premiada”, ou seja, em servindo como informante ele poderá ter penas inferiores às que estão previstas para seus crimes. O mesmo está desejando o Marcos Valério; parece que ambos têm muito a falar. Por ora ele já está indiciado por corrupção, falsidade ideológica, falsificação de documentos e formação de quadrilha; investiga-se a bem provável lavagem de dinheiro. Pelo lado do Valério, na questão do “mensalão”, o tal do Freud, chefe da segurança do Lula, também, não está deixando por menos: recebeu dinheiro do Valério e pagou contas do Lula. Que coisa incrível: “graúdo” ou “miúdo”, parece que todos estão bem envolvidos; não escapa ninguém.
A blindagem em volta do Lula está tornando-se cada vez mais difícil, porque aos poucos as coisas vão esclarecendo-se, desanuvia toda sombra, aclaram-se as mentes, e tudo começa a ficar muito óbvio. A “gente graúda” não consegue mais esconder-se.
A presidente, na defesa de seu padrinho, desvia o assunto e diz que “O cara” foi quem inaugurou um marco no combate à corrupção, quando todos sabemos que ele inaugurou um marco na institucionalização da corrupção, onde as pessoas perderam a vergonha de ser corruptos, todos acobertados pelo manto da impunidade, imaginando que nada seria descoberto e que eternamente todos passariam em branco sem punição.
A verdade é que tudo está sendo feito e todo empenho é pouco, pois está mesmo muito difícil encobrir certas situações de evidências óbvias. Só não se sabe até quando eles resistirão.
Para se defender e tentar enredar o PSDB nas várias questões, falam em chamar o Fernando Henrique para depor no Senado. Na verdade é tudo que ele quer; sabe, muito bem, que não existe um parlamentar que tenha condições de “pelear” com ele. Além do mais, será uma grande oportunidade para confrontar os dois governos e demonstrar que o dele não foi cercado de corrupção e falcatruas e que, nem de longe, pode comparar-se ao de Lula. Seria bom que houvesse esse confronto. Seria uma maneira de cair de vez a máscara do PT.